A gente sabe que se tornar avó é marcante e um motivo de alegria e comemoração! Que sonho ver seu/sua filho(a) tendo filho, que maravilha ter bebê na família! Mas as avós têm que cuidar para a empolgação com o momento não se tornar uma barreira no pós-parto da filha ou nora! Por isso preparamos umas dicas para as avós, para você, vovó, transformar sua alegria em ajuda, de maneira respeitosa e harmônica, de forma que a família recém-nascida lembre de você como alguém essencial nesta fase, e não como alguém que acabou prejudicando, como acontece às vezes mesmo sem querer.

– Respeite a forma de os pais do bebê fazerem as coisas. Os tempos mudaram e aquilo que era considerado ideal antes pode não ser mais adequado agora. Claro que a sua sabedoria pode ser bastante útil, sim, mas compartilhe seus conhecimentos quando perguntada. Olhe com “bons olhos” para os cuidados com o bebê  de agora. Em vez de criticar, se não aguentar pergunte com um sorriso: “ahhh, não tem problema pegar o bebê toda hora no colo?” E ouça com empatia a explicação que lhe derem. Você verá que há uma razão para tudo, e mostrar-se aberta a aprender o novo gerará confiança dos novos pais em você. Tente ler sobre o pós-parto e sobre os cuidados com o bebê nos dias de hoje. Abra sua mente para novas formas de ver e vivenciar essa fase.

Leia mais: O puerpério

– Procure ajudar mais com as tarefas da casa e da cozinha do que com o bebê. Naturalmente que você vai dar bastante colo para o seu netinho, mas não fique aguardando ansiosamente ao lado da mãe enquanto ela amamenta para que isso aconteça. Você pode oferecer de ficar com o bebê enquanto a filha/nora toma um banho, por exemplo. Mas se ela achar que essa não é a hora do banho, não se ofenda. Lembre-se que esse é o momento da mãe recente ter absoluta prioridade.

– Pergunte pelo bem-estar da sua filha/nora antes de sair correndo para pegar o bebê no colo. Procure saber que tipo de ajuda ela precisa. Chegar com uma comidinha pronta ou uma água de côco, por exemplo, demonstra carinho e compreensão do momento da família, o que solidificará ainda mais seu vínculo com os novos pais.

Leia mais: 11 dicas para presentear a mãe recente

– Não diga que o seu pós-parto foi fácil e que você fazia tudo sozinha nem menospreze a sensibilidade da mãe recente. Hoje se sabe melhor do turbilhão hormonal que faz com que as mamães oscilem entre sentimentos contraditórios com bastante frequência. Respeite esse momento sem criticar.

– Não tente solucionar tudo. Não tem coisa mais incômoda do que a avó que tenta dar solução pra tudo. “Bebê está chorando? Deve ser cólica”; “Bebê está acordando a noite toda? É só colocar a roupinha do lado do avesso”; “Está com o seio doído? Dá uma mamadeirinha”. Não! Na maioria das vezes, o que a família mais precisa é ser ouvida e não de soluções que sequer fazem sentido pra eles.

Leia mais: Saber ouvir – essencial para dar apoio no pós-parto

– Falando nisso, procure se informar sobre os benefícios da amamentação e mostre seu apoio às possíveis dificuldades enfrentadas. Jamais sugira a mamadeira ou que o leite é fraco (hoje se sabe que leite materno fraco não existe!). Ao invés disso, diga que ela vai superar as dificuldades logo e que tudo vai dar certo. Traga um copo de água para a filha/nora quando ela estiver amamentando e veja se ela está confortável. Ao mesmo tempo, não fique o tempo todo em cima, dê espaço, dê privacidade, especialmente se você é a mãe do pai.

– Não convide suas amigas para conhecer seu netinho sem pedir autorização para os pais recentes antes! Jamais! Mesmo que eles estejam na sua casa! E de novo, não se ofenda se não for a hora para visitas! Muitas famílias precisam de semanas sem visitas, sobretudo de gente com quem eles não tenham intimidade! Respeito é mesmo a palavra de ordem!

– Se você mora em outra cidade, não decida sozinha quando vem e quanto tempo vai ficar na casa da nova família. Pergunte para eles qual o melhor momento e até quando deve ficar.

– Não fique nervosa se o bebê está chorando! Bebês choram mesmo – essa é a forma que eles têm de se comunicarem. Se isso lhe deixa muito ansiosa, saia de perto, mas não demonstre sua ansiedade e nem sugira que tem algo errado. Leia este post aqui para tentar ter um novo olhar sobre o choro do bebê!

– Não se ofenda se houver algum fim de semana em que a mãe queira ficar apenas com seu companheiro e seu bebê, especialmente se o pai trabalha fora durante a semana. É importante dar à família o tempo de que necessitam para que se entendam mais e mais na sua nova configuração.

Enfim, avós são importantíssimas para seus netos e também para os novos pais. A ideia desse post é evitar que a relação entre pais e avós (sobretudo entre nora e sogra) fique fragilizada, como acontece infelizmente com certa frequência. Ao contrário, o puerpério pode ser uma oportunidade de fortalecimento desses vínculos. É preciso que as avós entendam a prioridade da mãe recente e que saibam escutá-la, sem fazer comparações com a sua época, ao mesmo tempo em que os novos pais devem abrir espaço para a avó (não é difícil compreender que os avós querem participar da vida dos netos desde o primeiro momento) e também aprender a ouvir a avó com o entendimento de que ela entrou no mundo da maternidade num contexto diferente do nosso. Isso gera compreensão dos dois lados. E a compreensão alimenta o amor! <3

7 comentários

  1. Eu realmente gostaria de saber sobre qual ponto desse texto tão sensível e imprescindível, o Sr. José chama de egoísta. Ora, o olhar cuidadoso para a mãe, se considerarmos que por um bom tempo o bebê e a mãe são um só, é principalmente um cuidado com o bebê, que os avós tanto amam. O bem estar do bebê depende do bem estar da mãe. No momento do puerpério, principalmente, cabe sim à parte mais experiente e menos fragilizada – sim estamos fragilizadas pelo parto, pela condição radicalmente nova que é tornar-se mãe – ter empatia. Tentar exercitar uma presença mais cuidadosa possível, e mais respeitosa em relação às escolhas dos pais e às necessidades da mãe-bebê, do bebê-mãe, cedendo lugar da euforia egóica de ter virado avô e avó à paciência para construir com o tempo uma relação com o neto.
    Acho que ainda é novidade para as famílias e para a sociedade quando se traz as necessidades da mãe, e das mulheres ao primeiro plano. Parece egoísmo priorizarmos o fato de uma mulher tornar-se mãe, e não dos familiares se tornarem avô, avó, tio, tia. Mas se a mãe não estiver bem, o bebê pode ser prejudicado. Não é clara a prioridade? Infelizmente não, não é tão clara assim. Parece egoísmo se analisarmos por um prisma que não prima pelo bem estar da mãe. Mas o que falta, muitas vezes, é um tanto de generosidade, empatia e paciência da família. Se houvesse mais isso, com certeza, muitos laços familiares teriam sido preservados. E por consequência, a saúde mental dos novos membros que estão chegando.

    Uma mãe, nora e psicóloga.

  2. Dicas muito compatíveis com noras da geração Y, incapazes de compreender as relações familiares históricas e que demonstram fortes traços de egoísmo e senso de desconsideração que um neto ou neta não são apenas do casal, mas está inserido num ambiente relacional familiar. Estas dicas precisam ser revisadas urgentemente, pois são deseducadoras de necessária construção de sadias relações transgeracionais, pois só reforçam a desagregação e entre as gerações.

    Um pai e sogro da geração X

    Jose Carlos Silvestre

    1. Acabei de emitir minha análise das suas sugestões baseado em análise sociológica e cultural contemporânea. Espero que a moderação do site tenha a equidade e justiça para publicá-la.

      Jose Carlos Silvestre

    2. Oi, José Carlos, obrigada por compartilhar sua análise com a gente! Concordo com você que são gerações diferentes e, portanto, contextos completamente diferentes. Mas discordo que essas dicas demonstram egoísmo e desconsideração, quando o objetivo delas é justamente – dentro do contexto do que é a vida hoje – fortalecer o laço avó- filha/nora-neto, pois o que vejo por aí, como mãe e doula pós-parto, são incompreensões que levam à quebra e à fragilidade do vínculo, e não ao seu fortalecimento, coisa pela qual primamos sim. Naturalmente nossa prioridade é o bem-estar da mãe recente. E o que acontece quando essas dicas que você reporta desagregadoras são seguidas, digamos assim, é uma avó feliz por ter a certeza de que respeitou o espaço da família e de que a ajudou, uma nora/filha que admira ainda mais a sogra/mãe que tem, e um neto que, pela ótima relação que fica entre avó e núcleo familiar, vai conviver bastante com sua avó e ter por isso as melhores lembranças dela. Minha análise sociológica com base na vida real.

      De qualquer forma, suas palavras me fizeram refletir mais sobre o assunto, o que é sempre bom! Que dicas você daria para a construção de sadias relações transgeracionais? Tenho certeza que também tem dicas muito proveitosas da sua parte. Fique à vontade para nos escrever.

      Cordialmente,
      Dulce

    3. olá Pai e sogro da geração X, bacana trazer seu ponto de vista, mas poderia complementá-lo com dicas para uma construção sadia transgeracional? fiquei curiosa de como seriam elas do ponto de vista da geração x, pois eu uma nora filha e mae da geração y enxerguei essas dicas como agregadoras e solidarias.
      abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *