Ainda não há, na sociedade em geral, uma compreensão verdadeira do pós-parto. É muito comum que mães recentes ouçam palavras e frases que nada acrescentam ao período de ebulição física e emocional pelo qual elas estão passando. Chega a ser curioso (para não dizer outra coisa) que mesmo mulheres que já passaram pelo puerpério cometem o erro de falar o que não deve ser dito, o que abala, o que não ajuda. Por isso, a gente preparou essa lista com algumas coisas que não devem ser ditas durante aquela visita que você faz a uma amiga que acaba de se tornar mãe.

  • Seu parto não foi como você queria? Esquece isso! Seu bebê está aí saudável… é isso que importa!

Não, gente, não é só isso que importa. A satisfação da mulher com o seu parto, ou não, interfere bastante em como ela vai se sentir nessas primeiras semanas após o nascimento do bebê. Falar pra ela “esquecer isso” é menosprezar seus sentimentos e consequentemente danificar sua autoestima. O melhor nesse caso é ouvir o que a mãe tem a dizer, se ela quiser, sobre o assunto e mostrar empatia. Você não tem que tentar consolá-la. Para a mãe recente, sentir que é ouvida e que suas dores são compreendidas é de fato o melhor remédio. Falamos bastante sobre isso aqui.

  • As mãos dele estão frias… ele não está com frio?

As mãos e pés dos bebês normalmente são mais frios que o resto do corpo. Portanto, para saber se o bebê está com frio, o lugar ideal para tocar é o peito ou as costas. Ainda assim, sobretudo as gerações anteriores à nossa insistem em perguntar se o bebê está sentindo frio quando sentem as mãozinhas mais fresquinhas. Palpites de que as puérperas não precisam, mesmo que sejam falados com a intenção de ajudar.

  • Durma quando o bebê dormir.

Já falamos sobre isso neste post aqui. O ideal, se for para dar alguma sugestão, é dizer pra mãe recente descansar quando o bebê dormir, fazer algo que lhe dê prazer (talvez seja mesmo dormir, mas a escolha é dela!).

  • Acho que você está com pouco leite!

Os palpites sobre a amamentação batem récorde! São tantos e tão inconvenientes que a gente poderia fazer um post apenas sobre eles! Se você não é uma consultora em aleitamento materno, uma enfermeira com expertise no assunto ou um(a) pediatra, melhor guardar seus palpites pra si mesmo!

  • Vai dar de mamar de novo?

Sim, um bebê recém-nascido mama muito e a toda hora. Isso é o normal! Se você não está atualizado com o que dizem as últimas evidências científicas sobre o tema, de novo é melhor ficar quieta e apenas apreciar a beleza que é um bebê mamando no peito!

  • Você não vai sair de casa? Tirar esse pijama?

Muitas mulheres, nas primeiras semanas após o nascimento do seu filho, não sentem vontade mesmo de sair de casa. Eu não tinha vontade nem de tirar o pijama! Esse recolhimento faz parte do período pós-parto e jamais deve ser questionado!

  • Você já vai sair de casa, com um bebê tão pequeno?

Por outro lado, há mães que sentem necessidade de sair um pouco, dar uma volta, conectar-se com algo que fazia parte da vida pré-filho. Uma mãe já abre mão de muitas coisas desde o momento em que engravida. Ela não precisa abrir mão de sair com seu bebê se ela se sente à vontade para isso e se é o que quer fazer. Menos palpite, mais respeito!

  • Ele chora tanto, né? Meu filho não chorava assim!

Jamais compare o bebê de uma mãe recente com o seu! Cada ser humano é único e vem ao mundo com sua bagagem única também. Além do mais, bebês choram! Esse é o seu meio de se comunicar! A comparação só trará preocupação e insegurança para a mãe recente, que está passando por um momento delicado e sensível da vida.

  • Vai pegar no colo de novo? Ele vai ficar mimado!

Um dos maiores mitos das últimas décadas. Que bebê não quer ficar o tempo todo perto da mãe? Dar colo é dar amor, acolhimento, aconchego. É dar a base para a formação de um adulto autoconfiante e seguro. E pode-se ter certeza de que ele não vai querer colo pra sempre!

  • Nossa, seu bebê está……..? Isso não é normal!

Se você não é pediatra, não diga a uma puérpera que o bebê dela não é normal. Nesse começo de vida, tanta coisa é normal! E já há tantas novidades que nos fazem questionar se o que acontece é normal ou não que ouvir isso de uma terceira pessoa não contribui para nada. Antes, o ideal é normalizar as situações pelas quais a família está passando. É normal o bebê mamar muito e mamar a cada 2 ou 3 horas. É normal dormir sozinho e dormir apenas no colo da mãe. É normal chorar pouco e chorar muito. É normal regurgitar e não regurgitar, arrotar e não arrotar, fazer cocô cinco vezes por dia ou nenhuma! Sendo assim, não deixe a mãe preocupada à toa. Ela conhece (ou está conhecendo) seu bebê, está conectada a ele. Se ela tiver dúvidas de que algo pode não ser normal, ela perguntará a pessoas de sua confiança, sem falar que há inúmeros profissionais que podem ajudá-la.

  • Não chora!

Não conheço puérpera que não tenha chorado no seu período pós-parto. Chorar é colocar pra fora, é necessário!! Entenda, permita e respeite.

  • Está triste por quê? Você não queria tanto esse filho?

Frase comum ouvida especialmente por mães que demoraram um pouco mais para engravidar ou que tiveram que recorrer à tecnologia para isso. O puerpério é esse período louco em que alternamos momentos de alegria e tristeza, de empolgação e desânimo, de certezas e dúvidas. Esse é o normal do puerpério e a tristeza do momento não destrói a satisfação por ter realizado o sonho de ser mãe. Portanto, não seja insensível a ponto de dizer a frase acima.

  • Não é bom demais ter filho?

Eu ouvi essa frase de pessoas da minha mais alta estima! Claro que eu sei das boas intenções, da vontade de trazer à tona a conexão agora como mães. Mas fazia poucos dias que eu tinha parido, eu estava no meio do turbilhão puerperal e não, eu não estava pensando que maravilhoso que era ter filho. Acredito que algumas mães tenham esse sentimento imediatamente, mas para muitas de nós essa alegria intensa de ter filho bate mais tarde, quando já entendemos e conhecemos a mãe que habita em nós. Então, guarde seu desejo de mostrar empatia em relação a isso para outro momento, para uns meses mais tarde, ou espere que a mãe recente compartilhe com você, quando ela assim quiser, o fato de ser “bom demais ter filho”.

E você? Ouviu mais alguma coisa que achou inconveniente? Conta pra gente!

12 comentários

  1. Eu acho que cada parto é uma experiência diferente de pessoa para pessoa e com certeza fazer comparações como: ah tua filha nasceu com peso baixo, a minha nasceu com peso normal! Já deixa a mãe de primeira viagem muito preocupada! Não é legal!

  2. Seu parto não foi como você queria? Esquece isso! Seu bebê está aí saudável… é isso que importa!
    Quem esquece ter que parir dentro de um Ambulância por pura falta de atenção e falta de humanização tbm do profissional da saúde também e ainda você tem que escuta isso,Seu bebê está aí saudável …. é isso que importa eu juro que eu ficava inconformada quando as pessoas mim dizia isso eu não entendia pq tanto descaso comigo e meu bebê e ainda as pessoas acha normal, Confesso que ainda hoje não entendo mais depois de 1 ano e 2 meses já alivio mais nada melhor que o tempo !

    1. É duro ouvir esse tipo de comentário mesmo, né, Railla! Também fico a me perguntar onde está a sensibilidade das pessoas… Aqui na Abraço de Mãe nós entendemos a sua inconformação. Você não está sozinha! bjssss

  3. Ouvi quase tudo!!! Mas também ouvi que estava matando eu filho de fome, mesmo dando NAN após as mamadas quando ele continuava a chorar!!! Meu puerpério foi traumático e se não fosse por amor ao meu filho não teria coragem de ter engravidado novamente. Estou com 39 semanas à espera de um parto normal, inclusive p ajudar no aleitamento. Vou passar meu resguardo na casa do meu pai, onde tem mta gente p me “defender” desses palpiteiros e estamos mto ansiosos para que dessa vez tudo seja mais tranquilo e que se não for, eu tenha de md a merda quem vier me estressar!!! (perdoem o palavrão)

  4. E o que é conveniente falar numa visita dessas… Melhor mesmo é não ir, ou entrar muda e sair calada. Claro que pessoas bem educadas não vão falar qualquer assunto num momento delicado como esse, nem dar palpite e dizer como foi no caso de quando seu filho nasceu, mas alguma coisa vão ter que conversar, o que seria melhor?

  5. Ouvi exatamente isso de pessoas bem próximas. É muito ruim mesmo. É um momento especial e as mulheres são as que mais fazem comentários como esses, os homens nem se aproximam muito na verdade, só meu marido mesmo. Mas ele era só apoio! Mas escutei a seguinte frase, com poucos dias de parida: ” você já não consegue viver – não se imagina mais – sem ele (meu filho)???” Naquele momento eu estava aprendendo a amá-lo dessa forma, porque aquele sentimento de responsabilidade, de cuidar, de proteger é instintivo e para mim foi imediato, mas o amor que sinto hoje, que não cabe dentro de mim, realmente, foi aos poucos, e tudo era muito novo. Fora quando meu seio feriu muito e eu fiquei uma semana mais ou menos retirando leite de um seio e dando na mamadeira e dando o outro seio, até sarar. Eu batalhei muito para conseguir amamentar e consegui! Mas nessa fase inicial ouvi: ” ele vai se acostumar na mamadeira e vai largar o peito!” dito com muito peso e acusação. Socorro! Falta de noção!!!

    1. Patrícia, é verdade isso que você falou: ouvimos essas coisas de mulheres… Doido isso, não? Mas isso que estamos fazendo – compartilhando experiências e falando sobre o pós-parto – seguramente ajudará a diminuir esse tipo de situação. Obrigada por compartilhar tua experiência com a gente!

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