O pós-parto ainda tem uma “fama” que não corresponde à realidade. Apesar de hoje se falar bem mais do assunto, ainda é preciso desmistificar muita coisa… muita pressão que a sociedade em geral coloca nas mães recentes e nas famílias, o que é quase um “mistério”: se todas as mulheres que se tornam mãe passam pelo puerpério, por que ainda se tem tanta noção errada sobre ele? Somos levadas a acreditar na idealização da maternidade, nos fazem crer que não devemos falar do lado desafiador e que está errado não corresponder à expectativa que colocam sobre a gente (isso pra falar bem resumidamente do assunto).

Aqui na Abraço de Mãe é nossa prioridade falar do pós-parto real, do puerpério como ele é, sem falsas expectativas. Só assim entenderemos a importância de se preparar para o pós-parto (na parte em que isso é possível) e só assim teremos ideia do que esperar… mas apenas uma ideia mesmo, pois cada mulher é única e cada experiência é única e imprevisível na sua essência.

Vamos aos mitos do pós-parto.

#1 Você vai se apaixonar imediatamente pelo seu bebê

É encantador ver aquele bebezinho que acabou de sair de dentro da gente, mas isso não significa que a gente se apaixona instantaneamente. Isso até acontece com algumas mulheres, mas não para a maioria. O amor é construído no dia a dia, com o estabelecimento da relação, com interações, com os primeiros sorrisos (e então não para mais de crescer!), mas não é necessariamente imediato. Portanto, não se culpe se seu coração não explodir de amor nos primeiros dias. É normal.

#2 Ser mãe é instintivo

O instinto materno existe e deve ser escutado, mas maternar é uma habilidade que se aprende! E no caminho a gente erra muito, sim! E tudo bem, faz parte! A mãe perfeita não existe e nem é algo que vem naturalmente. Portanto, não se sinta culpada quando você não sabe o que fazer (isso no pós-parto e mais pra frente também). Maternar ocorre por tentativas com erros e acertos!

#3 A amamentação é natural e instintiva

Acho que todo mundo pensa assim antes de começar a se envolver com assuntos de maternidade. Mas amamentar, embora seja uma coisa linda da natureza, é uma técnica a ser aprendida – pela mãe e pelo bebê (apesar de que alguns poucos parecem já “nascer sabendo”). Sendo assim, vale a pena ler sobre o assunto ainda na gravidez, ver vídeos, observar amigas amamentando, conversar sobre isso! Pois não é um conhecimento que já vem dentro da gente!

#4 Você vai se sentir a mãe mais feliz do mundo

Olha a idealização da maternidade aí! Você vai ter momentos, pequenos instantes de alegria intensa, no meio de um turbilhão de outros sentimentos os mais variados! Especialmente nas primeiras semanas, é comum sentir-se perdida, confusa, triste até! É importante ter amigos de confiança ou uma doula para conversar sem medo de se sentir julgada, assim como é importante permitir-se chorar sempre que der vontade. Não se culpe por não se sentir a mãe mais feliz do mundo, pois isso não é a realidade da maioria nessas primeiras semanas.

#5 Recém-nascido só mama e dorme, é tranquilo

Ah, se fosse assim tão simples! Recém-nascido mama muito… e chora muito! E exige diversos cuidados e dedicação! Não sobra tempo pra mais nada! Daí a importância de uma rede de apoio para cuidar das “tarefas mundanas” enquanto a mãe recente cuida do seu bebezinho. Para saber mais sobre o choro do bebê, clique aqui e aqui.

#6 Assim que seu bebê nasce, você esquece todas as dores

É bem verdade que assim que seu bebê nasce, você sente um alívio. Mas você pode ter contrações depois, tanto pra expulsar a placenta como mais tarde, por dias ou semanas, com o útero voltando para o lugar. Se você passou por uma cesariana, você terá sete camadas que foram abertas se recuperando, e pode doer sim! Isso sem falar das dores emocionais que, a depender da sua experiência de parto, podem ficar presentes por um tempo.

#7 Você tem que dar conta de tudo sozinha, pois não é difícil

Está aí talvez um dos mitos mais injustos do pós-parto! É humanamente impossível dar conta de tudo sozinha, como a sociedade às vezes nos faz querer acreditar. Você vai precisar de ajuda sim, e não é errado precisar de ajuda e muito menos pedir ajuda! Daí a importância de pensar ainda na gravidez em quem faz parte de sua rede de apoio, e de conversar com essas pessoas sobre que tipo de ajuda você pode querer delas. Também é bom saber quem são os profissionais que podem ser úteis nesse período. Leia mais sobre as tarefas pra você NÃO fazer no seu pós-parto aqui.

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