Algumas décadas atrás era bem comum a recomendação do uso de cinta depois do nascimento do bebê. Hoje a questão já é mais polêmica, predominando cada vez mais a ideia de que não se deve usar a cinta pós-parto.

A impressão de que tudo está solto dentro da gente, especialmente após uma casariana, leva algumas mulheres a usar a cinta pós-parto pela sensação de segurança e suporte que a cinta pode dar. Apesar disso, há que se ter cuidado com o corte da cirurgia, especialmente se você teve alguma inflamação ou maior sangramento, pois a região precisa arejar. Outras mulheres reservam a cinta apenas para sair, para se sentirem melhor em relação à sua silhueta.

No entanto, o uso contínuo da cinta pós-parto não é recomendado. Alguns especialista dizem que ela atrapalha o fluxo sanguíneo, o que piora a recuperação dos tecidos. Outros defendem o não uso da cinta por pelo menos um mês após o parto, pois seu uso poderia atrapalhar a volta do útero ao lugar, correndo-se o risco de ele pressionar a musculatura pélvica, o que poderia até ocasionar o problema da “bexiga caída”.

A fisioterapeuta pós-graduada em osteopatia estrutural Katielly Araújo,  que tem sua clínica de fisioterapia em Itajuípe/BA, diz que com a cinta a barriga fica flácida por mais tempo: “Quando você coloca a cinta, seus músculos abdominais e paravertebrais não precisarão “trabalhar” para manter a postura. No máximo, poderá ajudar a diminuir o inchaço e nesse caso nada melhor que sessões de drenagem linfática. Sem a cinta o tônus muscular voltará mais rápido.”

E complementa: “Existe um grupo de músculos profundos que agem como estabilizadores dinâmicos do tronco, em especial da coluna. São eles: diafragma, multífidos, transverso do abdômen e musculatura do assoalho pélvico. Eles agem antecipadamente aos nossos movimentos, garantindo estabilidade articular da coluna vertebral. De modo que, ao usar a cinta, esses músculos serão menos solicitados, pois sua função estabilizadora estará sendo usurpada pelo acessório. A médio prazo a pessoa poderá desenvolver lombalgia e a longo prazo, hérnia discal. Lembrando que na gravidez há um déficit dos estabilizadores estáticos pela ação do hormônio relaxina sobre os ligamentos. Nesse caso, precisaremos ainda mais de um suporte muscular competente.”

Katielly esclarece ainda mais o assunto com uma comparação: “Se alguém coloca um gesso na coxa e tira depois de 30 dias como estará a coxa gessada? Estará mais fina, com perda de massa muscular devido ao desuso dos músculos . Essa é a lei do uso e desuso que rege o aparelho osteomuscular. O mesmo ocorre com o uso da cinta isoladamente.”

Também não devemos nos deixar afetar pela pressão social de voltar a ter o corpo de antes. Seu corpo acabou de passar por meses de mudanças profundas e ele precisa de tempo para se recuperar. Uma das coisas mais eficientes que se pode fazer para perder a barriga da gravidez é amamentar. A amamentação produz ocitocina, a qual contrai o útero e isso ajuda demais no processo de recuperação do corpo.

Katielly, nossa consultora para este post, ao final recomenda: “Se a mulher se sentir muito desconfortável, seria legal usar calcinhas de cintura alta. Se fizer muita questão da cinta, use a de compressão suave e por poucas horas.”

Como tudo no mundo da maternidade: informação e bom senso sempre!

P.S.: Queria uma imagem de um corpo real de pós-parto com uma cinta. A única que encontrei foi essa, com uma cinta mais antiga! 🙂

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