Nós da Abraço de Mãe focamos no pós-parto para além dos tradicionais 40 dias. Gostamos de pensar num pós-parto estendido, digamos. Até quando? Não há um tempo certo – cada mulher tem a sua história e o seu jeito de sentir quando seu puerpério terminou. Nesse pós-parto pela gente considerado, tem bastante peso a preocupação da mãe com o desenvolvimento do bebê – das suas capacidades físicas e intelectuais.

Nos primeiros meses de vida do bebê, recomenda-se muito – talvez não com tanta evidência no Brasil, mas seguramente em outros países como a Nova Zelândia, onde morei, e os Estados Unidos – colocar o bebê de bruços por alguns minutos todos os dias (“tummy time”) sob o argumento de que assim ele vai fortalecer os músculos do pescoço, ao tentar levantar a cabeça, e os abdominais, ao tentar levantar o tronco, e de que assim se evitaria também a “flat head”, quando a cabeça do bebê fica achatadinha atrás por passar muito tempo deitado de costas. Alguns defensores da técnica chegam a dizer que bebês que são colocados de bruços desenvolvem-se melhor em todos os aspectos.

Acontece que muitos bebês, talvez até a maioria, não gostam de ficar de barriga pra baixo e choram ao serem colocados nessa posição. Meu filho, Caio, era assim (a Isadora, da foto, já era mais tolerante e só reclamava depois de um tempo). À época morávamos na Nova Zelândia e toda vez que recebíamos a visita da enfermeira (community nurse) que acompanhava seu desenvolvimento ela reiterava a importância de deixá-lo um pouco de bruços, três a quatro vezes ao dia.

Como o Caio não gostava, a situação ficava dramática para mim: eu via que aquilo não era bom pra ele e não o colocava na posição, mas me sentia mal de não estar fazendo algo tão importante e tão recomendado. Por sorte, comentei o caso com uma amiga professora de crianças de 0 a 5 anos que me tirou o peso dos ombros: ela me falou de uma outra corrente que defende que não se deve colocar o bebê em posições às quais ele não saiba chegar por si só. Me deu um artigo sobre o tema que explicava que já havia pesquisas (uma delas aqui) mostrando que não há diferença no desenvolvimento do bebê, e que o importante é permitir que o bebê passe um tempo deitado no chão (em cima de um pano ou uma manta, se for o caso) para que ele sinta seu corpo e aprenda sozinho a rolar para chegar à posição de bruços. Respirei aliviada.

Essa teoria inclui outras posições, como por exemplo sentar. Dizem seus defensores que não se deve colocar o bebê sentado com almofadas em volta, como costumamos fazer. Que ele mesmo vai aprender a se sentar quando tiver força muscular suficiente para isso. Nesse caso, o meu dilema foi o contrário. Aos 6 meses, Caio já estava cansado de só deitar e rolar, e ficava feliz ao ser colocado sentadinho (com o apoio de almofadas) e assim enxergar o mundo de outra perspectiva (e eu o colocava assim sim).

Como tudo que se relaciona à educação e ao desenvolvimento de crianças, sempre há mais de um ponto de vista, mais de uma teoria sobre o assunto. E nesses casos conta muito é o bom senso.

Acho que se pode muito bem colocar o bebê de bruços (geralmente a partir dos 3 meses, mas há quem recomende desde sempre) e ver qual é sua reação. Se ele curte, por que não aproveitar e curtir o momento junto com ele? Mas se ele não gosta, não há motivo para forçar a situação. Se ele tiver “floor time”, passar um tempo deitado no chão, numa superfície mais durinha, ele aprenderá por si só! Isso sim é importante, tempo no chão (que aliás é uma coisa que eu penso que poderia ser mais divulgada e recomendada aqui no Brasil). Tem um vídeo que mostra de maneira bem legal como os bebês começam a sentir seu próprio corpo e como aprendem a movê-lo (as interferências são em inglês, mas as imagens falam por si só!).

Enfim, queridas mães, respeitar o bebê, o seu tempo, e “ouvir” o que ele expressa é a chave de um bom desenvolvimento!

4 comentários

    1. Talvez seja um salto de desenvolvimento, quando o bebê tem o desenvolvimento físico e cognitivo mais acelerado. Nesses períodos, que acontecem várias vezes sobretudo no primeiro ano de vida, o bebê pode ficar mais inquieto, mamar mais, acordar mais.

  1. Adorei o post. Minha filha tem dois meses e senti que ela estava ficando agoniada só de ficar deitada no berço e cadeira de bebê… Daí lembrei de colocá-la no chão. Ela amou, mexeu braços e pernas e dava gritinho de alegria! Realmente não se incentiva tanto no Brasil colocar os bebês no chão!
    Ah, e o texto de vcs é sempre tão sincero. Obrigada!

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