A doula e psicanalista Laura Gomez, da Abraço de Mãe, entrevista Maiara Knihs.

Laura e Maiara se conheceram durante a graduação da UFSC. A primeira em Ciências Sociais, a segunda em Letras. Hoje têm em comum a psicanálise e a maternidade.

Maiara Knihs nasceu em Brusque-SC.  É mãe, escritora, mestra em literaturas pela UFSC (2014). Atualmente pesquisa o tema do leite e da amamentação na produção artística de mulheres latino-americanas em seu doutorado em Harvard.

Maiara acaba de lançar o seu primeiro livro solo: Ninharia – sobre a experiência da amamentação e dos desmames. Ela oferece um trabalho de aninhamento para gestar palavras tanto em oficinas de escrita criativa quanto na atuação como psicanalista. Recentemente, foi uma das premiadas no edital Arte como Respiro do Itaú Cultural na categoria poesia, com o texto Rebento, a ser publicado.

Nesta entrevista, Maiara, na sua intimidade com as palavras, revela verdades profundas com um tom de poesia. Uma leitura prazerosa que a Abraço de Mãe tem a satisfação de dividir com seus leitores.

Obrigada pelo compartilhar, Maiara!

Compartilha conosco como foi a amamentação para você?

Primeiramente, é preciso dizer que o meu processo da amamentação aconteceu num contexto muito específico que interferiu de maneira direta no meu puerpério. Eu descobri que estava grávida cerca de duas semanas depois de me mudar para Cambridge, Massachusets, nos EUA, para iniciar meu doutorado em literatura e artes visuais em Harvard. Estava numa língua que eu mal sabia e numa cultura a que eu não pertencia.

Quando o leite desceu, o pouco pouquíssimo de inglês que me habitava desapareceu. Depois fui perdendo também o domínio que achava ter do português. Esquecia as palavras com frequência. Para mim, que era formada em Letras e que me identificava como poeta, foi uma experiência estranha. Foi a coisa mais dura e mais mole do mundo sentir a carne viva do não cabimento nas palavras. Ser lançada pra fora do sujeito longe da mãe, longe da língua materna.

Me sentia completamente fora de mim. Me sentia o mundo. Eu era todas a raízes. Eu era aqueles galhos marrons que me olhavam pela janela e as veias verdes que enraizavam no meu peito. O mundo virou um emaranhado de fios. Só o contato fazia sentido. O corpo estava aberto, as fronteiras do corpo, abertas. Os meus olhos escostavam em tudo e assim eu ia sendo. Fui tomada por um excesso de alteridade. O bebê não entende o sentido das palavras. Não adianta cantar do banheiro: “Já estou indo”. O conforto só chega mamando, às vezes com o colo, sempre com o contato. Então, acho que a gente recua com as palavras pra se comunicar com o bebê. É um devir bebê.

Foto de Maria Gatti

Essa experiência para mim foi mágica, mística, de transe, êxtase (porque transe afinal é esse receber o outro em si, né?). Por que isso acontece ou aconteceu, eu não sei. O que eu sei é que pra acontecer é preciso deixar o empuxo do leite levar, é preciso se entregar a isso mesmo quando não se amamenta. A isso o quê? A habitar outro espaço e outro tempo. É uma revolução.

No entanto, é um dever ético e político desidealizar tudo que envolve a maternidade. O começo da amamentação me foi dolorido, literalmente, mamilos esfacelados, momento de aprendizado mútuo da mamada. Depois, a despeito do lado mágico desse constante lançar-se às descobertas que o bebê vai guiando, mesmo quando a mãe tem a possibilidade (e privilégio) de se entregar ao leite, o puerpério é uma dureza.

Vivemos numa sociedade na qual nossos corpos a vida inteira são conformados em direção a uma individualidade extrema. Nos acreditamos autônomos. Então, não é fácil negociar a hora das atividades mais básicas possíveis tais como comer, ir ao banheiro, tomar banho, dormir, desrespeitando o ritmo habitual do indivíduo. Mesmo nos casos em que o maior desejo da mãe seja o de atender as necessidades da criança, essa constante negociação vai dando uma sensação de não existência. Algo morre pra nascer uma mãe. E o puerpério é também a elaboração desse luto.

Fale um pouco sobre tua percepção sobre a invisibilidade e a solidão no puerpério.

Parecia que ninguém tinha acesso ao espaço e ao tempo em que eu vivia. Era uma solidão tremenda existir fazendo o menos de palavras possível. Uma mãe recém-nascida mergulhada na descoberta de tudo. Nessa travessia, tive o privilégio de não ir sozinha, Jorge se lançou comigo na descoberta do que era nascer pai. Acho importante dizer isso, porque se não tivesse o tempo e espaço minimamente resguardado, seria muito mais difícil viver no corpo o lado poético dessa experiência de vazio-pleno. Em outras palavras, foi porque Jorge lavou, cozinhou, cuidou da casa, cuidou de mim, que eu pude viver plenamente a livre demanda do leite. Essa função que o meu companheiro ocupou foi historicamente assumida pelas mulheres, pela mãe da mãe recém-nascida, pelas co-madres. Era função coletiva.  Aí mora uma das maiores crueldades do nosso tempo, a experiência de amamentar que pode ser uma das experiências mais potentes do mundo também pode ser ao mesmo tempo muito violenta. Isso porque, de fato, para amamentar a mãe precisa ser cuidada. Só assim é possível mergulhar sem a ambivalência dilacedora nesse outro tempo, que não é o produtivo, e nesse outro espaço, que não é o da camisa de força do sujeito. Como sabemos, no nosso mundo temos uma dificuldade gigantesca em ver e ainda mais em reconhecer como legítima outras formas de subjetividade. A amamentação coloca o corpo na possibilidade de uma subjetividade dissidente.

A experiência de um sujeito fragilizado é nova para a mãe. Eu, como muitas mães de primeira viagem, nunca tinha ouvido falar dessa crise de identidade profunda que pode aparecer no puerpério. Pelo menos com esse nome e de forma direta. Desestabilizada pela intensidade dessa experiência de metamorfose no corpo, como diria Suely Rolnik, a subjetividade se vê tensionada entre dois movimentos. De um lado, o não saber é mágico porque abre muitos mundos. Esse é um ponto de abertura para outra forma de existência, conectada à germinação da vida. Ainda que seja preciso suportar um vazio de palavras e uma germinação lenta para que essa outra forma finalmente venha a nascer. Por outro, há uma pressão fortíssima em direção aos modos vigentes que se materializa em torno da volta. Voltar a ser vista, voltar a ser reconhecida como sujeito autônomo, como mulher, voltar ao trabalho remunerado, voltar ao corpo de antes, voltar às palavras de antes, voltar às sensações de antes.

Aí, eu pergunto, numa sociedade como a americana na qual não existe direito à licença-maternidade paga e na qual uma em cada quatro mulheres volta ao trabalho duas semanas depois de parir, qual a chance da mãe abrir tempo e espaço pra elaborar essa força relacional que a criança recém-nascida convoca no corpo e criar outra forma de existência?

Não precisamos ir tão longe. São muitos os relatos em que vem do marido a demanda da volta. Ou da mãe, da sogra, das amigas. Seguramente vem dos empregadores e do mercado de trabalho. E, finalmente, é um desejo da própria mãe que já não aguenta a experiência dilaceradora de não saber quem é ela e quem é o bebê. É muito difícil estar preparado para dar espaço e tempo para a germinação do novo. Uma luta contra o mundo inteiro. No momento em que a definição de cansaço ganha outra proporção como no puerpério, lutar contra o mundo inteiro sozinha se afasta do possível.

Toda essa dificuldade tem que ser nomeada. Temos que desnaturalizar a violência: não é difícil porque ser mãe é difícil. É difícil porque praticamente tudo que germina vida é usurpado por um sistema que lucra com a proliferação da morte. O trabalho de dar e cuidar da vida, historicamente feito pelas mulheres, é antes de tudo um trabalho invisibilizado. Essa invisibilização passa pela individualização dessas tarefas que eram antes sempre coletivas. Individualizar e não nomear são estratégias que fazem essa experiência ser vivida como solitária e como menor.

Nesse contexto, é difícil suportar esse lugar do sem palavra. Na cultura em que se pretende tudo dizer, tudo conhecer, tudo mostrar, se entregar ao não saber apequena, nulifica, desimporta. Eu me tornei uma ninharia.

Agora, eu era uma ninharia feliz. Me sentia plena, forte e prenha do mundo. Tinha certeza absoluta, ao olhar aquela experiência primordial da vida como algo menor, ao não dar espaço e tempo praquela experiência, que havia qualquer coisa de muito errada no mundo. Não sou uma pessoa de ter certezas absolutas em nada. Tenho a impressão, no entanto, que a experiência de maternagem para mim convocou um saber do corpo. Confiar no saber do corpo é ter muito paupável quais as prioridades da vida: o que é vital e o que não é. Como dizem, o neoliberalismo é um sistema que inverte essa lógica. Então, é muito comum gastarmos muita ou toda a nossa energia em algo que somente faz essa máquina mortífera rodar.

Foi e ainda é um longo processo, sem fim, continuo elaborando o corpo dito monstruoso. Um corpo que desafia, desfia o discurso do sujeito racional autônomo como única e desejada possibilidade de ser sujeito.

Abraçar o corpo em fiapos, megulhar nesses rios e fios do esquecimento que habitam e formam o corpo foi um encontro com o dentro e também com o fora.  Me fez compartilhar alguma coisa presente nos corpos chamados monstruosos, aqueles que não cabem na definição do sujeito racional autônomo, uma coisinha que reside em cada uma. Senti mais e menos os corpos de algumas daquelas que foram lançadas pra fora do direito de ser sujeito.

Essa invisibilidade é dolorida e tem a ver com as palavras que vem dos outros e que não abarcam o nosso corpo. Essas palavras que excluem se materializam nos espaços das cidades, dos restaurantes, da universidade, etc. Também no espaço das relações. Uma vez, falando dessa dor da invisibilidade do puerpério numa roda, uma mãe negra (que infelizmente eu não sei o nome) me disse: “Não entendo quando você fala de luto. O puerpério não trouxe esse significado para mim. A invisibilidade me acompanhou a vida inteira. O nascimento da minha filha me trouxe só alegria.” A invisibilidade e solidão que vieram com a amamentação foram pra mim também um lugar de enorme aprendizado.

Como escrever o livro te ajudou a retomar tua individualidade e tuas palavras?

O meu corpo estava aberto e do tamanho do mundo e a minha carapaça tinha caído pra dar espaço a essa transformação. Já não me reconhecia nas minhas palavras luxuosas. Logo eu, toda formada nas letras, já não me identificava com a forma da poesia. Sim, nascer mãe tinha significado uma troca de gênero.

Estava em plena troca. Sabia que o leite tinha me lançado aí, assim como eu sabia que não podia ficar aí, que o leite tinha que secar e que uma casca nova tinha de ser construída com outras palavras. Era muito concreto pra mim que meu o corpo era outro, que o lugar era outro e que a velha casca não servia.  Como a criança, era necessário adquirir uma língua que ainda já não existe.

Ao mesmo tempo, no fundo, eu tinha muito medo do desmame, que o desmame significasse o fechamento do mundo que o leite abriu. Eu tinha medo de voltar a usar as mesmas palavras. Depois de ver o mundo contagiada pelo olhar do bebê, eu tinha muito receio de ver o mundo como eu via antes, reduzido.

Então, comecei a escrever e buscar imagens que aconchegavam esse corpo mãe. Não do jeito que escrevia antes, procurando diálogo com imagens e palavras da literatura universal e, portanto, quase sempre, encapsuladas pelo discurso colonial-patriarcal. Era uma invenção da língua do corpo. Estava apaixonada pelas sementes e brotos. Fazer nascer palavras coladas no corpo não é nada fácil. Estamos desabituadas. Além disso,  a gente sabe o que morre, mas não sabe como fazer nascer outra identidade. Não tem receita. Busquei escutar outras mulheres, estudar a arte feita por mulheres, dar cursos sobre a arte feita por mulheres. Ali há uma constante elaboração dessas questões que obviamente são pensadas por muitas gerações anteriores. A questão do corpo-casa da Lygia Clark, do corpo casulo da Rosana Paulino, por exemplo, foram pra mim importantíssimas. Fiz isso, porque era isso que eu tinha à mão.

No percurso, conheci a Célia Regina da Silva. Ela é mãe e arquiteta e oferece um trabalho chamado “Preparando o Ninho”. O trabalho tem a ver com o olhar para a casa com a chegada de um filho e é muito preciso e poético. Nas nossas conversas apareceram muitas palavras e imagens que me aninharam.

Num dos meus cursos conheci a Lorena Galery, que é designer gráfica. A Lorena fez uma coisa fundamental para o meu processo: deu uma forma. Eu tinha um amontoado de textos, palavras, ideias e imagens e o desejo de fazer um livro. Ela materializou com toda delicadeza e precisão do mundo esse objeto. A textura, o papel, a letra, a sequência dos textos fomos fazendo numa troca longa e sem pressa. Dando tempo e espaço para o objeto aparecer. Foi um verdadeiro encontro com Lorena, e com a generosidade de quem sabe fazer livros. Ela disse que era preciso uma capa frágil e uma textura leitosa. Ela me ensinou que as letras podem ser pequenas e a frases podem dançar no espaço sem justificativas. As margens cortadas e os borrões são bem-vindos nessa costura que faz do pequeno objeto algo precioso (para mim).

Então, a escrita do livro foi uma forma de gestar palavras. Acho que uma coisa fundamental para esse momento de nomear a metamorfose é se aproximar de pessoas que acolham, que respeitem, que tenham empatia e que sobretudo ajudem a dar palavras e formas à nova casa. Algumas vezes a ajuda vem no estar junto em silêncio. Parece mais simples do que realmente é.

Foto de Jorge Minella

Tem um conceito muito simples e absolutamente complexo que eu tomei da artista Cecilia Vicuña e  aprendi na prática com o bebê: reciprocidade. Dar tempo e corpo para quem devolve na justa medida o afeto pra gente. Quando a gente para pra observar as hierarquias de poder, o que a gente a vê é que somos domesticadas a dar tempo e corpo na forma de cuidado a quem nos explora ou dá nada em troca. É preciso prestar atenção na qualidade dos afetos que estão sendo trocados. Caso contrário, é uma corrida atrás do vazio. Acho que nesse sentido a reciprocidade pode ser chave na descolonização do desejo.

Pela leitura do livro, percebi que amamentar te trouxe muitas memórias da tua infância. Tem algum comentário sobre isso?

Não só a amamentação, né? Cada fase do desenvolvimento do filho ativa no nosso corpo a memória dos afetos que o formaram. É um portal imenso para cura de traumas, nesse sentido. É uma forma muito eficiente de revisitar e reinterpretar as sensações que nosso corpo viveu em outros tempos. Mais que isso, é viver no corpo outros tempos. É muito impressionate sentir séculos no corpo.

Como elaborar os diversos desmames dos filhos? Pois não é só o desmame da amamentação, temos o desmame de quando começam a comer, a andar, a falar, a conquistar autonomias e independências.

Elaborar o desmame é uma questão importante. Para mim foi algo fundamental. Pelo que escuto dos relatos das mães, o desmame costuma ser algo marcado pela ambiguidade de quem quer retomar a autonomia / liberdade e quem não quer perder o vínculo mais forte que existe com a criança. É algo que as mães fazem como podem, porque não é um processo tratado com a devida importância ou falado de forma suficiente, eu acho.

Quando o desmame é feito marcado pela ambivalência da mãe, ele costuma ser mais dolorido ou muito lento ou abrupto; não raro, traumático. Acho que o livro, isto é, ter guardado um espaço pra elaboração, foi fundamental para que o desmame de Francisco fosse tranquilo. A elaboração é longa, mas lembro de alguns pontos centrais nesse processo. Primeiramente, a pergunta: o que vai entrar no lugar do leite? Porque a teta acalma, a teta cura, a teta consola, a teta é magia pra toda hora. Tinha lido um texto maravilhoso da Maria Rita Kehl chamado “A criança e seus narradores”[1],  que uma professora e contadora de história exepcional, a Gilka Girardello, me indicou. E a resposta me parecia claríssima: “O que entra no lugar do leite são as histórias”. É preciso dar narrativas para a criança (não informações!).

Foi a partir daí que comecei a entender o desmame como metáfora. Desmamar assim como contar histórias para o meu filho, assim como escrever, tem sido um reconectar com a língua materna, uma língua que carrega a presença do real da mãe, o corpo. Em algum sentido, me conecto com o meu filho e com o mundo, como quando amamentava, pelas palavras.

Um último comentário é que como os desmames são muitos, ele acontece em muitas etapas. Em dezembro, no dia que o livro foi enviado para a editora Caseira para ser impresso, caiu algo de mim. O primeiro efeito foi tirar uma foto de perfil, algo que eu não conseguia já há muitos anos, porque me enxergava nas coisas do mundo. Também foi aquele dia que me autorizei analista. Isto é, que decidi continuar usando a palavra como quem alimenta a vida. No dia em que o livro foi enviado para a editora, já não cabia só fazer casca nova, cabia trasmissão desse convite. O doutorado sobre poesia se tornou a trasmissão poética e histórica do leite. Enfim, tento num esforço constante cultivar as palavras cotidianamente na transmissão desses afetos.

No desmame noturno lembro que aconteceu algo muito bonito. Francisco fazia uso da palavra feliz, mas não fazia da palavra triste. Então, quando eu disse a ele que ele mamaria quando sol raiasse, ele me disse: “Mãe, eu to meio feliz que você não tá me dando teta”. Nunca vi expressão tão precisa. Eu sabia que ele queria dizer que estava triste. Mas ele dizia muito mais. Dizia que também estava feliz. Eu gosto de escutar as palavras que as crianças usam. O desmame propriamente dito aconteceu no dia 19 de março, 3 dias antes de ele completar 3 anos. Foi no dia que a quarentena começou. Coincidentemente, meu companheiro estava viajando, então eu o conduzi sozinha. Eu estava segura que era hora. Eu tinha acabado de lançar o ninharia na Bahia. Eu sabia que quarentena no apartamento não seria algo fácil. Então, decidi adotar dois gatinhos. Avisei o Francisco uns dias antes que quando os gatinhos chegassem o leite iria secar. Eu queria que uma presença afetuosa entrasse no lugar do leite pra ele. Já fazia tempo que trazia narrativas de separação, de quão feliz o filhotinho panda ficava quando finalmente conseguia sair das costas da mãe e pegar a comida sozinho quando estava com fome. Mesmo assim eu achava que ele choraria muito e faria um grande drama. Quando eu disse que o leite tinha secado, Francisco, que tinha acabado de aprender a palavra pra sempre, disse “Ah, então eu vou chorar pra sempre”. Abracei com empatia e disse que agora iria ler uma história bem legal. Pra minha surpresa, ele dormiu tranquilo, sem derramar uma lágrima. Não tem fórmula pronta, mas é bem importante marcar para as mães e para as crianças que o fim do leite é um mundo novo que se abre cheio de descobertas, aventuras e magia. Assim é comer, assim é andar, assim pode ser também o falar.

Fotopoema: na mão carrego uma semente. Maiara Knihs.

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *