Quando meu primeiro filho nasceu, uma das coisas mais difíceis pra mim foi lidar com o fato de que “2+2 não era mais igual a 4”, de que eu não tinha mais uma lógica para seguir quando se tratava de meu filho e suas inquietações. Pra mim, sempre tão planejada, organizada, sistemática, com a vida sob (o meu) controle, não ter um manual que me dissesse o que fazer em cada choro, que me indicasse o porquê de cada incômodo do meu bebê foi um grande desafio e um enorme aprendizado!

Um mês depois de o Caio ter nascido, eu comecei a encontrar tempo pra ler um pouquinho. E aí fui descobrindo que havia sim uns “manuais” por aí! Claro que não é um manual de um aparelho eletrônico, que basta seguir para as coisas funcionarem, mas eram indicações dos sinais que os bebês dão que me ajudaram muito. Sobretudo porque antes de chorar um bebê normalmente dá sinais do que ele quer. Com essa informação em mãos, no mínimo eu fiquei mais tranquila, e com isso me permitia olhar de verdade para o meu bebê, conectar com ele, aos poucos ir adivinhando quais eram as suas necessidades e assim até evitando chegar a situações de choro!

Pensando nisso, eu resolvi fazer um pequeno guia de como interpretar a linguagem corporal dos recém-nascidos, com base nos achados de diferentes profissionais que lidam com bebês há anos! Mas alerta! De novo, a matemática não se aplica aqui, e vai ter vezes em que a interpretação sugerida não vai corresponder à realidade! De qualquer forma, muitas vezes vai funcionar, sim! E assim como eu me senti mais confortável tendo esse “guia”, eu espero que outras mães recentes se sintam também!

Em geral, se seu bebê tem fome ele vai:

– Colocar a língua pra fora

– Virar de lado e pôr a cabeça pra trás

– Franzir os lábios

– Trazer a mão à boca e sugar, o que também pode ser apenas sinal da necessidade de sucção, típica de bebezinhos

– Arquear o tronco (imagine que ele está procurando o peito da mamãe!)

– Mexer a cabeça pra frente e pra trás, como uma galinha bicando o chão, se você está segurando o bebê com a cabecinha apoiada no seu ombro

Obs.: Sugar/chupar a própria língua é mais sinal de que ele está se acalmando sozinho do que sinal de fome. Essa é uma forma de o bebê tranquilizar a si mesmo.

 

Normalmente, quando seu bebê está cansado, ele vai:

– Mexer a cabeça de um lado pro outro

– Dar chutinhos descoordenados com a perna

– Fixar o olhar, sem piscar ou mexer os olhos (sinal de que ele está mesmo muito cansado ou então pode ser que tenha sido estimulado demais)

– Mexer os bracinhos descoordenadamente, podendo até agarrar sua própria orelha ou bochechas (sinal de muuuito cansaço)

– Esfregar os olhos

– Ter os olhinhos avermelhados

– Bocejar (óbvio, né?!)

Obs.: Se você tenta mostrar algum objeto e ele vira o rosto, pode ser que ele apenas queira mudar de cenário ou posição.

 

Quando seu bebê está com gases, ele pode:

– Franzir o rosto

– Ficar rígido, todo esticadinho

– Puxar as pernas em direção ao peito

Obs.: Essa linguagem corporal também pode acontecer quando o bebê estiver fazendo cocô. Se for gases e estiver dolorido, é provável que ele chore junto.

 

Quando seu bebê for estimulado demais, ele provavelmente vai:

– virar a cabeça para longe da luz

– virar a cabeça para alguém que esteja tentando brincar com ele

– fixar o olhar num ponto qualquer, sem piscar (se ele está há tempo sem dormir, isso pode ser sinal de cansaço)

 

Você pode juntar essas dicas com a interpretação dos diferentes choros do bebê, tal como observado por anos pela musicista Priscilla Dunstan. Ela definiu cinco sons que o bebê faz que indicam quando ele está com fome, sono, com algum desconforto (por exemplo, fralda molhada), quando quer arrotar e quando está com gases! Essas dicas só valem até os três meses do bebê e não é de primeira que a gente consegue diferenciar os sons – exige prática!

Aqui nesse vídeo, entre outros, você tem exemplo dos tipos de choro e a explicação em português sobre de onde eles vêm, isto é, qual reflexo do bebê produz o som específico:

A reportagem completa está aqui.

Bom, agora você tem dois guias para ajudar a entender o que seu bebê precisa em diferentes momentos, sempre lembrando que em termos de maternidade não existem certezas definitivas nem controle absoluto. Não podemos nos esquecer também que o mais importante é a conexão mãe-bebê, que será maior e mais profunda se a mãe puder se desligar das tarefas mundanas, deixando estas para pessoas de sua rede de apoio, para assim se dedicar a conhecer esse novo serzinho que chegou para ficar!

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