puerperioEstava casada há mais de três anos e iniciou a vontade de engravidar. Pensamos, eu e meu marido Tiago, que estava na hora de ter um filho. Começamos a jornada sem muito stress, deixando acontecer. Após um ano de relax comecei a me preocupar. Fui na ginecologista e resolvemos investigar. Nada em nenhum exame. Tanto eu quanto Tiago estávamos com tudo em dia. Por que então não engravidávamos? Parecia tão fácil para os outros… Via minha família toda tendo seus bebês e nós, nada. Mais uns seis meses se passaram e o medo de não conseguir estava começando a surgir fortemente. Comecei a fazer tudo que lia e falavam e a cada menstruação era um luto. Mas em agosto de 2006, após dois anos de tentativas, engravidei! Que emoção, o meu bebê tão desejado estava por vir!!!

Gravidez nota 10, com disposição e entusiasmo. Estávamos na mesma época da gestação construindo nossa tão sonhada casa.
Queria muito ter um parto normal. Porém com quase 42 semanas de gravidez, a médica não quis mais esperar. Com a justificativa de placenta envelhecida, fiz uma cesárea no dia 22/05/2007. Nasceu o Arthur, o tão desejado bebê!

Após a alta do hospital fui para a casa da minha mãe, pois nossa casa estava ainda precisando de alguns ajustes finais para poder ser habitada. Ainda no hospital tive um sangramento em um dos ductos mamários e Arthur regurgitava sangue. Foi um pouco exaustivo, tive que ordenhar todo esse leite “ruim” para o bebê não mais ingerir sangue. Com isto tudo surgiram rachaduras no bico do seio.

Estava com os mamilos doloridos e isto me incomodava muito. Foi aí que nem ainda instalada direito na casa da minha mãe, começaram as visitas. Eram tias, parentes, amigos de parentes…. Eu eu sofrendo com as dores nas mamadas, as incomodações e os cuidados com o corte da cirurgia. Começou uma caminhada de confusões sentimentais e com isso tudo choro, muito choro. Estava tendo todo o suporte logístico dos meus pais, mas estava com meu marido longe pois ele trabalhava o dia todo e no fim do expediente ia para a obra ver como andava tudo. Então quando ele saía eu chorava e quando ele chegava eu também chorava. Me sentia muito culpada, afinal não queria tanto ter este filho? Como podia me sentir assim tão sensível e chorona?

Esta sensação durou todo o mês que fiquei morando com meus pais. Quando viemos para a casa nova, durante uns dias tive o ar de novidades e consegui me sentir melhor, mas ao longo das semanas a sensação de melancolia e choro voltava, principalmente ao cair do dia.

Foi muito difícil passar por tudo isso e sofrer sozinha pois não tinha coragem de me desabafar com ninguém, porque eu mesma não me permitia sentir tudo isto, não sabia que era normal e me sentia extremamente culpada: não pedi tanto pra ter esse filho?

Depois desse turbilhão de emoções e sensibilidades me bateu outra agonia: como que ninguém me avisou que eu não teria mais minha vida de volta? Não conseguia me acostumar com a falta de espaço, com a falta de um banho demorado e com o meu programa na TV. O Arthur simplesmente me ocupava o dia inteiro!! E quando ele dormia precisava dar um jeito na casa, arrumar as roupinhas etc. Que turbilhão de sensações pois ao mesmo tempo estava completamente apaixonada pelo meu bebê.

Então aos poucos fui saindo de casa. Com dois meses e meio de vida do Arthur, visitei minhas alunas de dança e até arrisquei uns ensinamentos, fazendo com que eu me sentisse a Daniela outra vez. Comecei a enxergar que era possível, apenas uma questão de tempo, talvez bastante tempo, mas um dia aconteceria! Depois de mais um mês consegui iniciar uma atividade física, o que me fez muitíssimo bem. Eram duas horinhas por semana que dedicava a mim simplesmente…

Três anos e cinco meses após o nascimento do Arthur, nasceu o Henrique. Que feliz, um amigo pro meu primeiro filho! Porém, quando cheguei em casa vi que enfrentaria um grande ciúme. Arthur se mostrou agressivo e revoltado com a situação. Não gostou daquele bebê que só chorava e ficava no meu colo. Por este motivo, fiquei novamente muito sensibilizada. Já sabia que eram normais todas as sensações do meu primeiro puerpério, me informei e busquei leituras, mas não contava com a reação do Arthur. Ele simplesmente transferiu todo seu ciúmes e frustrações em mim e iniciou uma jornada de agressões e insultos. Me ignorava e não queria que eu chegasse perto. Não permitia que eu lhe desse banho, ou o jantar…. Me dizia para eu ir embora que ele queria ficar sozinho com o papai. Puxa, que difícil! Fiquei muito magoada e outra vez com sensação de culpa… Com tudo isso ainda tive que lidar com episódios de mastites e muita febre. Não tive rachaduras como na primeira vez, mas meu seio empedrava e inflamava…. Mais uma vez um puerpério intenso e cheio de desafios.

Depois de alguns meses tudo foi se ajeitando. Arthur ficou mais fácil de se lidar e mais acostumado com o irmão. Aos poucos o pensamento estava mais otimista e a sensação de que tudo voltaria ao normal começou a surgir.

Hoje, depois de refletir sobre os meus puerpérios, penso que tudo poderia ter sido mais suave se eu tivesse tido mais apoio, principalmente emocional, alguém para dividir e desabafar. Alguém para escutar e não julgar. Alguém para me dar suporte e um colo…

Acredito que uma doula pós-parto teria feito toda a diferença. Uma pessoa neutra para ajudar, apoiar, aconselhar e escutar. Uma pessoa proativa e com dicas práticas para tudo fluir melhor.

Estamos todos muito bem agora. Arthur com 8 anos e Henrique com 4 e meio. Já estão crescidinhos e mais independentes. Porém, se eu tivesse um terceiro filho, contrataria apoio certo! Passar pelo puerpério com mais tranquilidade não é um luxo e sim uma necessidade!!

2 comentários

  1. Linda história de puerpério. Emocionante, real! Grata por compartilhar.
    Um abraço de mãe, Roberta
    ps: parabéns pelo trabalho e pelo site que está lindooo, tenho certeza que vai ajudar muitas mulheres-mães!

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