Por Anamaria Marques Vincenzi

A musicoterapia é, como diz o nome, uma terapia feita com música, realizada por um musicoterapeuta, profissional habilitado para exercer tal profissão. É considerada uma área da saúde, sendo usada em diversos contextos, desde a gestação até cuidados paliativos, como prevenção, reabilitação e como auxiliar em processos de saúde que necessitam de uma assistência medicamentosa e hospitalar.

Ao contrário do que se imagina, ela não acontece apenas a partir da escuta de músicas que relaxam e trazem bem-estar. Essa é uma das formas de abordagem denominada musicoterapia receptiva, em que o paciente apenas recebe, escuta os sons. E mesmo se tratando de uma abordagem receptiva já se sabe através da realização de pesquisas na área que o efeito da música sobre as pessoas pode variar de indivíduo para indivíduo. Ou seja, uma música ou um som que é agradável para uma pessoa pode ser estressante para a outra. Por isso, a musicoterapia vai mais além e sugere uma abordagem com base no gosto musical de cada indivíduo, o que seria sua identidade sonora. Assim, é necessário ter preparo para entender, respeitar e saber ouvir e trabalhar com a identidade sonora de cada paciente.

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Outra forma de abordagem musicoterápica bastante utilizada no Brasil é a ativa, na qual o paciente participa ativamente da sessão, tocando instrumentos, cantando, explorando sonoridades. Não há uma preocupação em ensinar a tocar o instrumento ou cantar afinado; isso fica para a aula de música. Na musicoterapia ativa, o que importa é auxiliar o paciente no seu processo de expressão através da música, e a partir de sua expressão musical, o musicoterapeuta poderá estabelecer um plano de tratamento e conduzir as sessões para que ocorra uma melhora do quadro apresentado por seu paciente. O musicoterapeuta é um facilitador, um mediador, auxiliando para que o paciente se sinta cada vez mais seguro a expressar-se. E sentindo-se seguro musicalmente, certamente irá se sentir seguro em sua vida fora do ambiente musicoterápico.

Áreas da musicoterapia

A musicoterapia possui diversas áreas de atuação, como por exemplo, a educacional, hospitalar e organizacional. Na Abraço de Mãe, nós trabalhamos com a musicoterapia obstétrica, tendo como base a Musicoterapia Focal Obstétrica, método desenvolvido pelo musicoterapeuta argentino Gabriel Federico que tem como proposta atividades terapêuticas que se utilizam dos recursos sonoros para intensificar o vínculo entre mãe e bebê e proporcionar um momento de acolhimento à nova mamãe, abrangendo quatro esferas: física, emocional, mental e espiritual. A voz materna é fundamental nesse processo. Vejamos.

A importância da voz materna no vínculo mãe-bebê

A audição do bebê dentro do ventre materno se inicia a partir da 18ª semana de gestação, quando seu aparelho auditivo já está formado. Além dos sons intrauterinos, como as batidas do coração e a circulação dos nutrientes através do cordão umbilical, o bebê passa a ter como principal referência a voz materna. Por isso, a musicoterapia focal obstétrica estimula as mães a cantarem, se expressarem musicalmente e inventarem músicas para seu bebê. Ao nascer ele irá se lembrar de tudo, e ao ouvir a voz de sua mãe se sentirá acolhido e seguro.

Cantar traz benefícios para as mamães também, que têm a oportunidade de realizar uma atividade prazerosa e relaxante. Se você se sente uma pouco tímida para cantar, a dica é escolher uma música que você goste de ouvir e cantar junto com a gravação. Com o desenrolar da gestação, você pode ir aos poucos tirando a gravação e tentando cantar sozinha. Você vai ver que o bebê, começa a reagir dentro do útero porque ele sente o mesmo prazer e emoção que você sente ao ouvir e cantar a música.

Dicas 

Uma dica é usar a melodia da música que você gosta de ouvir e inventar uma nova letra, criando assim uma canção para o bebê. Segundo o musicoterapeuta Gabriel Federico, os estímulos externos chegam ao bebê no útero por três vias: a auditiva, ele pode ouvir sons dentro e fora do útero quando o aparelho auditivo já está desenvolvido; a sensitiva, quando a gestante recebe estímulos vibratórios; e a  hormonal, que conduz as emoções maternas para o bebê. Por isso, é de extrema importância que a música seja agradável para a mamãe, pois seu bebê receberá está emoção.

Outra dica importante é evitar colocar fones de ouvido em sua barriga para que o bebê sinta melhor a música. Isso é um grande equívoco que gera uma super estimulação, causando estresse ao bebê, além de romper com o mais importante que é o vínculo gerado pelo canto materno. Então não tenha medo nem vergonha de cantar! Seu bebê irá vibrar com sua voz! E se conseguir, dance junto, acariciando sua barriga. Converse também, ele irá te ouvir!

Não perca!

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