Não há bebê que não chore, afinal esta é a sua principal maneira de se expressar, especialmente nas primeiras semanas, quando não há sorrisos ou carinho da parte dele. Também é fato que toda mãe recente enfrentará crises de choro do seu bebê. Sobretudo no primeiro puerpério, é bastante desafiador lidar com essas situações. Tudo o que a gente quer é saber por que o bebê está chorando e promover a solução para o problema; confortá-lo para que o choro cesse.

Como se sabe, há inúmeras razões pelas quais um bebê chora. Além das típicas fome e sono, ele pode chorar por sentir frio, calor, pela fralda suja, porque quer mudar de cenário, porque quer colo, enfim, por qualquer tipo de desconforto.

Quando eu estava grávida da Isadora, uma prima me emprestou um livro que me deu uma nova perspectiva sobre o choro do bebê. Foi o livro The Aware Baby, da psicóloga Aletha Jauch Solter, fundadora do The Aware Parenting Institute.

Nesse livro ela sustenta a tese de que muitas vezes os bebês choram de estresse, digamos assim, pela incompreensão do novo mundo a que estão expostos. E que nesses casos, como mães e pais não devemos querer desesperadamente que o bebê pare de chorar. Ao contrário, devemos tê-lo junto a nós (jamais deixá-lo chorando sozinho; ela cansa de enfatizar isso no livro), mostrar nosso suporte, mas permitir a ele que chore. Não ficar fazendo balancinho, dando tapinhas na bunda, fazendo o som de sh-sh-sh ou qualquer outra técnica que normalmente usamos para tentar fazer cessar o choro. Em vez disso, segurá-lo no colo, dizer para ele que “mamãe está aqui”, manter a calma (a parte mais difícil talvez) e deixá-lo chorar até que não queira mais.

Claro que para que tal atitude seja possível, os pais têm que estar seguros de que não é fome (ele acabou de mamar bastante?), de que a fralda está limpa, de que o bebê não tem frio (toque no seu peito ou costas para ver a temperatura) ou calor (bebê suando?)…

A psicóloga, defensora da criação com apego e da disciplina positiva – ela é contra o sistema de punição/recompensa na educação de crianças, por exemplo –, dá toda uma explicação científica de como é importante para o bebê chorar e colocar o estresse para fora. Exemplifica com inúmeros casos reais de bebês que choraram por até duas horas seguidas, acolhidos pelos pais, e que depois ficaram superbem.

Se pensarmos em nós mesmos, quem não se sente melhor depois de uma boa chorada, quando se está triste ou passando por uma situação difícil? Chorar, pôr pra fora, nos dá alívio, nos dá ânimo para seguir em frente.

Eu entendo que tudo isso seja dificílimo de aplicar, sobretudo com o primeiro filho. Mas sabe aqueles momentos em que nem dar o peito funciona? Então! Ter essa teoria em mente ajuda bastante. Entender que é tudo muito novo pro bebê, sons, cheiros, pessoas diferentes…. tantas incompreensões podem causar estresse, sim! Não um estresse-doença, com consequências graves. Mas um estresse momentâneo, que pede uma boa chorada para ser aliviado.

Se seu bebê mamou há pouco, não quer pegar o peito, está com a fralda limpa, etc., e não para de chorar, tente pensar no que aconteceu no dia de vocês… Muitas visitas? Muitos colos diferentes? Experiências diferentes? Às vezes até o cachorro do vizinho que não parou de latir pode ser a causa de tanto choro. Tenha em conta os detalhes.

A Isadora, minha segunda filha, chorava escandalosamente antes de dormir nas primeiras semanas. Eu sabia que estava tudo certo com ela, então eu aceitava seu choro, oferecia a ela todo o meu conforto e permitia a ela chorar. Eu conseguia me manter calma, a abraçava carinhosamente e dizia: “A mãe está aqui, filha. Se você precisa chorar, você pode chorar. Hoje foi mesmo um dia cheio de novidades, né?” Normalmente, em até 10 minutos ela se acalmava (confesso que não aguentaria muito mais do que isso!), dormia e acordava feliz da vida depois!

Claro que tem muito mais atrelado a essa teoria do que um post de blog é capaz de abordar. Vale ler o livro para se aprofundar. Mas em linhas gerais é isso.

Como amiga ou doula pós-parto eu sempre gosto de comentar sobre isso com as mães recentes. Não tenho dúvida de que esse novo olhar sobre o choro do bebê ajuda mães e pais a entenderem melhor seu filhinho e consequentemente a ficarem mais calmos, enfrentando um dos desafios do pós-parto de maneira mais suave, confortável e tranquilizadora.

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