Não conta pra ninguém que a gente se sente triste mesmo tendo acabado de dar à luz um bebê tão lindo, que carregamos no ventre por nove meses!

Não, não conta pra ninguém que no puerpério dá vontade de sorrir de alegria intensa e de chorar de melancolia profunda.

Que tem horas que a gente pensa que vai explodir de tanto amor, como tem horas que a gente pensa que vai explodir de desespero.

Que às vezes a gente não quer receber ninguém, a não ser nossa própria mãe. Nem a melhor amiga, nem a madrinha querida, nem a vizinha tão prestativa.

Não conta pra ninguém que mesmo tendo planejado tanto ter um filho, a gente se pergunta o que fez da vida.

Que a gente fica tão aflita ao pensar que nossa felicidade vai depender pra sempre da felicidade de outra pessoa.

Que às vezes a gente sente que agora carrega um peso sobre os ombros.

Não conta pra ninguém que a gente pensa o quanto é difícil isso de ter filhos.

Que a gente acha em certos momentos que não vai dar conta.

Que “vai passar em duas semanas” soa como uma eternidade.

Que a gente muitas vezes se sente perdida, sem saber direito quem a gente é.

Não conta pra ninguém que por vezes a gente sorri pra visita, mas não vê a hora de ela ir embora.

Que ver o sol nascer não traz o brilho do despontar de um novo dia, mas a ansiedade de não ter conseguido dormir sequer por uma hora seguida ainda.

Que apesar de ter o bebê nos braços, a gente ainda não sente “a maravilha que é ter filhos”.

Que ter que sair pra levar o bebê no pediatra pode ser um martírio, quando tudo o que você quer é ficar em casa, quietinha, no seu ninho.

Não, não conta pra ninguém! Afinal, ter filho foi escolha nossa e a sociedade quer nos obrigar a sermos mães perfeitas e nos sentirmos felizes com a maternidade do começo ao fim.

#sqn

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *