Quem é amiga de doulas já deve ter lido em posts delas no facebook a palavra ocitocina, ou então que elas saem de um parto “ocitocinadas”! Se você está grávida, mais cedo ou mais tarde vai ouvir falar dela também! Mas afinal o que é a ocitocina e por que é conhecida como o hormônio do amor?

A ocitocina é produzida pelo hipotálamo, no cérebro, e armazenada na neuro-hipófise, de onde ela é liberada sob a influência de certos estímulos.

Na mulher grávida, por exemplo, quando o bebê está pronto pra nascer, com o pulmão já amadurecido (que é o último órgão a estar “pronto”), sinais são enviados ao cérebro, que começa então a liberar a ocitocina, hormônio responsável pelas contrações uterinas que levam ao nascimento do bebê.

Depois que o bebê nasce, a ocitocina promove outras contrações uterinas que conduzem o útero a voltar ao seu tamanho normal, processo que leva em torno de seis semanas.

Na amamentação a ocitocina também tem papel fundamental. A sucção do bebê sinaliza a liberação de ocitocina, que, similar ao parto, provoca a contração das glândulas mamárias e a consequente emissão do leite.

Além de tudo isso, ocitocina também é liberada no orgasmo tanto feminino (pelas contrações musculares) quanto masculino (pela contração dos chamados ductos seminíferos, que levam a ejeção do sêmen).

Isso tudo falando do seu papel fisiológico.

Muito se tem pesquisado sobre a ocitocina e o que se sabe hoje é que ela também é responsável por promover a criação de vínculos, a doação, a socialização. A ocitocina está presente quando estamos entre amigos, quando comemoramos realizações, quando compartilhamos refeições e risadas.

É o hormônio do amor, do prazer, das emoções!

Não à toa a ocitocina é importante na constituição do “baby brain” no pós-parto, do qual falamos no último post. Nossa natureza perfeita “pede” a produção de ocitocina durante o parto, na amamentação e no pós-parto também porque ela nos ajuda a criar vínculo com nosso bebê, algo importantíssimo para nossa formação como mães e para a própria sobrevivência do recém-nascido.

Como podemos então estimular nossa produção natural de ocitocina?

Durante o trabalho de parto, promove-se a geração de ocitocina com um carinho, ao se falar palavras ternas para a mãe, também deixando a luz do ambiente mais suave, evitando barulhos externos. Tudo isso vai afastá-la do neocórtex – parte do cérebro ligada ao racional – e conectá-la ao sistema límbico, ligado ao emocional, o que beneficiará o trabalho de parto. É este, aliás, o momento da vida em que a carga de ocitocina alcança os maiores níveis!

Se uma mãe recente está achando que tem pouco leite, fica preocupada e com medo, aí sim a produção de leite é afetada. Por isso, palavras de acolhimento e motivação e um abraço, por exemplo, podem mudar completamente a situação. As pessoas à volta da mãe que amamenta devem velar pelo seu bem-estar, segurança e relaxamento. Isso produz ocitocina, que leva a uma melhor produção de leite! Palavras como: “o seu corpo é poderoso, pode acreditar” ditas com empatia são muito mais pertinentes do que “ihhh, acho que você tem pouco leite ou que seu leite é fraco”.

Outra forma de estimular a produção e liberação de ocitocina é trazendo pra mãe recente uma bebida quente, digamos uma xícara de chá. Pesquisas já mostraram que os níveis de ocitocina sobem em reação ao calor. Assim, além das bebidas, um banho quente também ajuda bastante. Durante o puerpério um banho quente com mãe e bebê juntos pode auxiliar e até ser chave naqueles casos, por exemplo,  em que o bebê não quer pegar o peito. Também ficar um pouco com o bebê para que a mãe possa tomar um banho relaxante contribui muito para um pós-parto mais ameno!

Os níveis de ocitocina sobem com o toque. Abraços, carinhos, massagens, tudo impulsiona a produção desse hormônio!

Até uma musiquinha relaxante ajuda nisso! Um estudo de 2009 com pacientes que se recuperavam de cirurgias cardíacas mostrou que quando eles ouviam músicas calmas os níveis de ocitocina no sangue subiam e eles acabavam ficando menos estressados e se recuperando mais rapidamente!

Enfim, ocitocina é importante durante toda a vida, mas especialmente no parto e no pós-parto. Assim, lembre-se de nessas ocasiões falar palavras de carinho para a mãe recente, elogiar, dar um abraço sentido, presentear com uma massagem, oferecer um bom chá… Com o baby brain “bombando”, não há mãe e bebê – e consequentemente a família e a sociedade como um todo – que não se beneficiarão! Atitudes simples que podem ter um grande impacto. Um brinde à ocitocina, o hormônio do amor!

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