Depois de aprender a técnica da amamentação, algo bastante ensinado na Nova Zelândia, onde tive meu primeiro filho, pelas primeiras semanas sempre que eu sentava para amamentar meu bebê eu passava mentalmente uma checklist para garantir que tivéssemos a pega correta.

A pega do bebê no seio é a chave para o sucesso no aleitamento materno. Uma pega correta garante que o bebê consiga sugar o leite com precisão, o que faz com que se produza mais leite, além de evitar fissuras e machucados, geralmente fruto do atrito da boca do bebê no seio quando a pega não está certa.

Hoje no Brasil já se tem falado mais na amamentação. Já há mais consciência da sua importância e de que amamentar é algo a ser aprendido, tanto pela mãe quanto pelo bebê. Naturalmente que ainda há espaço para melhorar a atenção que se dá ao aleitamento materno, mas eu vejo uma evolução se compararmos a situação hoje à de alguns anos atrás.

Ainda assim, eu vejo que tem certas dicas que eu aprendi na Nova Zelândia que não são geralmente passadas aqui, pequenas coisas que podem ajudar que eu não ouvi sequer no meu curso de formação para consultora em aleitamento materno. Coisas que eu passo sempre para as amigas ou puérperas que atendo.

Então, baseada sobretudo na minha experiência pessoal, divido com vocês como eu fazia cada vez que ia amamentar durante as primeiras semanas, considerando a posição mais usada na amamentação – a mãe sentada e o bebê deitado (ainda que não totalmente na horizontal) no seu colo. Meus dois filhos tiveram uma boa pega e eu tive pouquíssimos problemas de fissuras no mamilo (no segundo filho, nenhum!).

– Água: antes de sentar eu já verificava se tinha um copo de água por perto e, se eu estivesse com fome, um lanchinho prático à mão também.

– Conforto: Após sentar com o bebê no colo, a primeira coisa que eu fazia era checar se eu estava confortável, com as costas e os braços bem apoiados. Especialmente nas primeiras semanas cada mamada pode durar bastante tempo! O conforto da mãe é tão importante quanto o conforto do bebê.

– “Nipple to nose”: Essa é uma coisa que eu não ouço ninguém falar aqui e que ajuda muito a ter a pega correta. Alinhe o bico do seio com o nariz (e não com a boca) do seu bebê. Em princípio, temos a impressão de que o bebê vai estar muito “pra baixo”, digamos assim. Mas colocar o nariz do bebê na mesma “altura” do mamilo, alinhado com ele, vai fazer com que, quando o bebê abra a boca para pegar o seio, ele fique com a cabecinha levemente (bem levemente) inclinada pra trás, o que facilita engolir o leite, além de a posição da boca no seio garantir que a pressão nas ampolas (também chamadas de seios lactíferos) libere o leite para o bebê.

– Abocanhar a aréola: Para estimular o bebê a abrir a boca você pode tocar com o bico do seio ou mesmo seu dedo nos lábios ou queixo do bebê. Assim, ele vai ter o reflexo de abrir a boca. Nesse momento, seja rápida e traga o bebê para o seio (e não o seio ao bebê), tentando fazer com que ele abocanhe o máximo de seio possível, quase toda a aréola (geralmente sobra um pouquinho de aréola para além do lábio superior do bebê). A ideia é que o mamilo, o bico do seio, não toque em nenhuma parte da boca do bebê, que fique soltinho na boca do bebê, mais pra trás do que pra frente; o leite sai já próximo à garganta, digamos.

– Boca de peixinho: o próximo item da lista que eu conferia era se os lábios do bebê estavam viradinhos para fora. Lembro bem que acontecia muito de o lábio de baixo não estar pra fora. Lá na Nova Zelândia eles ensinam a soltar a boca do bebê colocando o nosso dedo minguinho no cantinho da boca e começar tudo de novo. Mas o que eu fazia – e depois descobri que isso sim se ensina aqui no Brasil, e não lá – era puxar o queixo do bebê para baixo, de leve, e assim o lábio já virava pra fora, ficando na posição ideal. Nesse momento eu também via se as bochechinhas dele não estavam formando covinhas, o que é indicação de pega incorreta, boca pouco aberta, como a gente faz quando suga no canudinho.

– Barulhos: na sequência eu prestava atenção nos barulhos que eu ouvia. Idealmente ouve-se apenas o som do bebê engolindo, barulhinho discreto, baixinho, depois de cada três ou quatro sugadas. O que não se pode ouvir é um barulho na sucção, do ar entrando, pois a ideia é que a boca do bebê fique tão “acoplada” no seio que não haja espaço pra entrar ar. A entrada de ar prejudica a sucção e causa cólica no bebê.

– Barriga com barriga: em termos de posição do bebê, eu checava então se o corpinho dele estava bem junto a mim, virado para o meu corpo, nossas barrigas juntinhas. Isso garante que a coluna do bebê esteja reta, que o bebê não esteja com o pescoço virado para o lado em relação ao resto do seu corpo na hora de mamar.

– Por fim, depois de tanta verificação, é natural que a gente acabe se tensionando um pouco. Então, eu tomava consciência da minha própria posição de novo, cuidava para que meus ombros relaxassem, minhas costas, meus braços.

Parece coisa demais, mas até esse processo de checagem em poucos dias fica natural. Com a lista conferida, era hora de curtir esse momento tão sublime, na certeza de que meu bebê estava com a pega correta, nutrindo-se de leite e de amor!

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