Quando temos o sonho de engravidar e este acontece, tudo fica mágico! Sentir a barriga crescer, o bebê se mexer e se desenvolver, e se preparar com todo o amor para este serzinho tão especial chegar é um momento ímpar na vida de uma mulher. Os cursos e as pesquisas para gestantes são vastos e fáceis de encontrar. A mãe logo sabe o que esperar.

E então o bebê nasce e o sonho se torna realidade; ele está ali, presente!

No entanto, depois do parto, aproximadamente três dias após o bebê nascer, uma tristeza invade a maioria das mulheres. Sentimentos de solidão, angústia, melancolia, perda de identidade, preocupação, insegurança e dúvida, muita dúvida… Ela não esperava que estas sensações viriam e se sente desamparada, pois não existem muitas preparações para o desafiador puerpério.

“Historicamente a maternidade sempre foi mais coletiva do que individual, as comunidades se mobilizavam quando um bebê nascia”, relata Silvia Pinheiro Machado, psicóloga do Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade (GAMP) de São Paulo. Contudo, hoje as famílias se veem sozinhas numa rotina estafante e com ajuda escassa.

O fator hormonal, atrelado à falta de tempo e sono, desencadeia as alterações no temperamento da nova mãe. Ela passa a se sentir esgotada e perdida nesta tarefa intensa que é cuidar de um recém-nascido. Por isso, o apoio para a mãe puérpera é tão importante e necessário.

Este apoio pode vir de várias fontes: uma ajudante nas tarefas da casa, como limpar, cozinhar e lavar as roupas da família e do bebê; uma pessoa para fazer compras priorizando escolher produtos saudáveis para a mãe e também ser uma companhia para ela, se assim ela quiser, colaborando igualmente no controle das visitas. Ter encontros com outras mães na mesma situação também é uma excelente maneira de trocar experiências e sentir que essa circunstância toda é normal. Esses encontros podem ser tanto presenciais quanto virtuais. As redes sociais podem fazer esse papel!

Um bom apoio profissional, por exemplo, poderia vir do pediatra, que poderia olhar, além do bebê, também para a mãe e seus sentimentos, anseios e dúvidas. No meu primeiro puerpério, não conhecendo o trabalho de uma doula pós-parto, a única ajuda profissional que eu tive foi o pediatra Cesar Augusto Lemos, médico intensivista do hospital infantil Joana de Gusmão de Florianópolis. Mesmo sendo alopata e tradicional, era ele que me amparava nos momentos mais difíceis do meu pós-parto. Sempre me escutou sem julgar e me aconselhava de maneira humana e sensível. Quando eu entrava no consultório, antes de olhar para o bebê ele olhava para mim e me perguntava como eu estava. Muitas vezes, só nessa pergunta, eu já me debulhava em lágrimas… Pediatra que ampara faz a diferença. Pena ser difícil de encontrar…

Uma ajuda que pode fazer toda a diferença na experiência de pós-parto da mãe recente é aquele de uma doula pós-parto. Ter uma doula para dar suporte emocional e informacional no puerpério traz inúmeros benefícios, já comprovados por pesquisadores da área: menor incidência de depressão pós-parto, maior chance de sucesso na amamentação, pais mais calmos e seguros, ótimo vínculo mãe-bebê, entre outros.

Segundo Laura Gutman, psicoterapeuta argentina com um trabalho voltado para a família, “todas as puérperas precisam de apoio para não desmoronar diante das feridas físicas e emocionais deixadas pelo parto. Elas precisam de assistência, companhia e da disponibilidade de outra pessoa que não interfira nem abuse de sua autoridade, que não a julgue nem se intrometa, mas que esteja presente.” E ainda ressalta: “A assistência e o acompanhamento efetivo durante o puerpério não são um luxo, e sim, pelo contrário, uma prioridade que todas as mulheres devem ter ao seu alcance.”

Mas o que seria efetivamente APOIAR a mãe?

Ainda com Laura Gutman, dar apoio consiste em “tirar da mãe todas as tarefas que não sejam imprescindíveis à sobrevivência da criança: ou seja tudo o que não se refira a amamentar, ninar, acalmar, alimentar e acalentar o recém-nascido. As tarefas domésticas, as relações intrafamiliares, as decisões mentais devem ser atribuídas ao homem e à rede de apoio para liberar a mãe do reino terrestre.”

Também Ana Paula Garbulho, obstetriz, doula e consultora em aleitamento materno, fala que o trabalho da doula pós-parto é uma ajuda crucial no período puerperal. Há muitos detalhes a serem aprendidos e assimilados aos quais durante a gestação ninguém dá atenção. “Estamos lá para cuidar da mãe também!”

A doula pós-parto cuida da mãe puérpera, clarificando suas dúvidas, ouvindo sem julgamento, auxiliando na amamentação e fornecendo ferramentas para uma boa organização da casa. Ela oferece suporte para a mãe se conectar com o seu bebê e assim aumentar sua confiança nos cuidados com ele. O acompanhamento da doula traz paz e tranquilidade para as mães e para toda a família envolvida nesse processo desafiante.

Toda mulher bem apoiada terá ótimas e plenas condições de cuidar do seu bebê se sentindo feliz e realizada.

Apoio à mãe, e também à família, é necessário e fundamental!

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