Continuando o relato de parto da Gabriela, publicado semana passada aqui, hoje segue o seu relato de pós-parto!

Pós-parto imediato

Os efeitos pós-anestesia são chatos, a coceira pelo rosto e corpo são bem fortes e duram algumas horas. Logo após ser costurada, já dei de mamar pro meu bebê, a enfermeira foi maravilhosa e junto da Dani, minha doula, me auxiliou na pega.

O pós-parto da cesária é muito chato. São 12 horas sem levantar da cama, com sonda, de fraldas, no soro. Fora que eles te dão Plasil na veia e eu tive reação. A sensação de morte e mal-estar são fortes, parece que não vão acabar nunca. Alimentação só quatro horas após a cirurgia e totalmente líquida. Alimentação sólida só oito horas depois. Não poder pegar o teu bebê pra dar de mamar é muito chato, não sei como tem mulheres que fazem tudo isso sozinhas. Ninguém deveria fazer isso sozinha. Ninguém.

No dia seguinte, tinha que ter ajuda pra tudo, pra levantar da cama, pra fazer xixi, pra tomar banho… A dor da cirurgia é infinitamente menor que as dores das contrações, tanto que me aventurei demais e, no segundo dia, ao levantar da cama, eu caí e fiz um hematoma na região da cirurgia. Tudo bem, não rompi nenhum ponto, mas sosseguei o facho. Andar que nem uma velhinha é bem chato, mas era melhor não arriscar.

Pós-parto mediato – sentimentos e rede de apoio

Ah! Os vários, muitos sentimentos, sensações do pós-parto.

Ao chegar no quarto, estávamos a sós, eu, bebê e marido. Ainda me recuperando da cirurgia, tantas coisas me passaram pela cabeça. Tantas. A noite foi a mais longa de todos os tempos. O neném chorava, o Paulo trazia ele, eu dava de mamar e assim foi até amanhecer. Dormi pouco. A cada gemida do Antônio, eu acordava.

Se eu fosse resumir o pós-parto em um sentimento, seria o medo. Medo de tudo. Medo de não dar conta, medo de perder, medo de ficar, medo de fugir, medo, medo, medo. Fora o amor indescritível, imensurável e também a vontade de sair correndo, porque isso tudo também dá um medo enorme.

Sem contar que teu corpo tá estranho, não tem mais neném, mas a barriga tá enorme. O inchaço depois da cesária também é chato, eu fiquei irreconhecível e, lógico, me sentia uma monstra. A segunda noite na maternidade foi a pior. O Antônio passou a madrugada pendurado no meu seio, mesmo com a pega certa, eu estava toda machucada. Foi ali que a enfermeira de plantão sugeriu o bico… o Paulo, que já estava exausto, pegou o bico que trouxemos (para emergências, sou contra) e pediu pra esterelizar. A sorte foi que o Antônio fez ânsia e pôs pra fora. Não insistimos. O que é uma teta assada, né, minha gente?! Tem tanta coisa pior. No dia seguinte ele não quis saber do peito e chegou a ficar hipoglicêmico, a sorte foi ter a consultora de aleitamento de plantão que ajudou e deu tudo certo.

Último dia na maternidade, foram só dois, mas que pareciam dois meses, a pediatra de plantão, Dr. Denise, chegou no quarto, não disse nem bom dia, nem boa tarde, já foi pegando no meu filho e eu, desconfiada, fiquei do lado, ela me olhou e disse que veio checar os sinais do Antônio pra dar alta. Ao auscultar o meu bebê, começou a fazer umas caretas e eu, mãe de primeira viagem, cheia de hormônios, comecei a ficar inquieta, perguntei: “Tá tudo bem com ele, doutora?” E ela: “Olha, ele está com uma alteração no batimento cardíaco, vou levá-lo pra fazer um eletrocardiograma pra verificar se não é uma patologia.” E levou meu filho. Eu entrei em desespero. Foram os 20 minutos mais longos da minha vida. Ela trouxe ele de volta, chupando uma luva cirúrgica, enrolado num lençol da maternidade e dizendo: “Estamos sem o aparelho pra fazer o eletro, mas pelo outro aparelho que temos lá embaixo está normal. De qualquer forma, vocês devem levá-lo num cardiologista. Porque pode ser uma patologia.” Essas palavras caíram que nem bombas na minha cabeça, eu só ouvi “patologia”. A forma fria como ela nos tratou foi algo que só vivenciando pra saber. Não recomendo essa mulher como pediatra de ninguém. Ela nos deu alta, insistindo no cardiologista. Ao chegar em casa, ainda em choque, ela me liga no celular pra perguntar se eu tinha pegado mesmo o número da cardiologista que ela indicou, ainda me fez confirmar o número de telefone e, por fim, perguntou se o bebê estava bem. Que terrorismo! Eu fiquei desesperada!

Na semana seguinte fomos ao pediatra que disse que estava tudo normal e depois a cardiologista também confirmou a normalidade do coração do meu filho. Algumas semanas depois, fiquei sabendo que uma amiga passou por uma situação semelhante, anos antes, com a mesma médica e fez uma reclamação formal. Ou seja, se por acaso essa for a pediatra de plantão durante o seu parto e pós-parto, desconfie.

Em casa!

As primeiras semanas depois do parto foram de altos e baixos. O Antônio pegou bem o seio, mas não dormia da meia-noite às 4h da manhã. Eu virei um zumbi. Só depois de um mês eu consegui sair do quarto. Eu passei meus dias enclausurada e achava que estava tudo bem, mas não estava não. Eu tive uma depressão pós-parto leve, pode-se dizer. Eu tive todo o apoio que alguém pode desejar. Minha mãe levava a comida no quarto, lavava e passava as roupas minhas, do Paulo e do Antônio. Fiquei 1 mês e 11 dias na casa dela. Além de todo o apoio logístico, ela passava as madrugadas com ele no colo revezando comigo quando ele tinha cólicas. A minha mãe foi tudo pra mim e ainda é, não teria sido “fácil” passar por tudo sem ela; eu teria conseguido, mas teria sido infinitamente pior do que foi. Por isso, tenha uma rede de apoio, alguém que esteja ao teu lado não importa a hora, a circunstância, porque você vai precisar.

A Dani, doula, veio me fazer a visita pós-parto pra ver como eu estava e se o Antônio estava mamando bem e conversei algumas vezes com a Dulce, doula pós-parto da Abraço de Mãe, pelo Skype e pelo messenger. O apoio das doulas me tranquilizou e me deixou segura de minhas decisões. Elas fizeram e fazem parte da minha rede de apoio.

Hoje, o Antônio completa 5 meses. Posso dizer que o primeiro mês, parece um ano e é o mais difícil. Depois, é só alegria! O amor que a gente acha que não pode ser maior nos surpreende e aumenta a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. O medo ainda existe, viu?! Mas a gente aprende a conviver com ele e vencê-lo todos os dias.

As pessoas me perguntam se eu tivesse um segundo filho, se eu repetiria a experiência do primeiro parto e eu digo que faria tudo de novo. A única coisa que eu mudaria seria o tempo de sofrimento. Se não houvesse evolução no trabalho de parto, não esperaria tantas horas pra fazer a cesária. De resto, ah, o resto vale a pena. O amor é tanto, tanto, que supera a dor e as dificuldades. Eu sou outra mulher e sei, hoje, que sou mais forte do que um dia imaginei.

Obrigada, meu filho, por fazer de mim uma guerreira e a mãe mais feliz do mundo.

Eu te amo.

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