Nós conhecemos a Lara há muito tempo. E assim que soubemos de sua gravidez, tivemos a certeza de que seria um prazer ajudá-la na sua travessia puerperal. Uma família especial, com um parceiro-pai que é um verdadeiro exemplo de como todos os novos pais deveriam ser. De coração aberto e com apoio, Lara e Deck souberam entender e aproveitar cada momento do pós-parto, os bons e os nem tão bons assim, para absorverem aprendizados e se desenvolverem como os pais amorosos que são. Nesse relato, você pode ver o puerpério sem disfarces e pode compreender melhor o papel da doula pós-parto!puerperioHá tempo que quero escrever sobre minha experiência de final de gestação, parto e puerpério. Essa semana minha filha completou cinco meses e é a primeira vez que consigo sentar no computador por mais de 30 minutos. A intensidade do puerpério é algo difícil de descrever, é como se os dias, semanas, fins de semanas se juntassem num grande todo onde não há contorno do que é dia e noite, tudo se mistura em um caldeirão de cuidados, amor, preocupação e medo fazendo o tempo se misturar também.

Quando penso na experiência que tenho passado, penso no mundo “visível” e no “invisível”,  ou poderia chamar do universo de coisas práticas e universo psicológico. Quando nasce um filho estes dois universos sofrem uma mudança enorme. É assustador pensar em como a vida muda tão rápido! E para encarar tantas mudanças, nada como um apoio de quem tem conhecimento, experiência e ao mesmo tempo não vai te julgar nem dar ideias e palpites que só te angustiam, já que você não consegue e quer realizar tudo. E é essa a maior diferença das doulas para as amigas e familiares!  Então vou relatar um pouco da minha experiência com estas profissionais maravilhosas!

No mundo do “visível” Dulce e Daniela deram aquela super ajuda! Durante a gestação foi tudo tão intenso e fiquei tão emotiva que não conseguia focar nas necessidades futuras objetivamente. Também sempre fui do tipo que “dá conta” de tudo e resolvo bem as coisas mesmo em cima da hora. Por isso achava que daria conta de tudo no pós-parto! Não fazia ideia de como iria precisar de ajuda. Foi quando elas chegaram em casa com todo amor carinho e uma listinha de coisas para organizar e providenciar!  Foi ótimo! Elas me ajudaram a pensar em coisas bem essenciais que eu não estava planejando, como por exemplo: Quem iria cozinhar e o que nós comeríamos quando a Íris nascesse? Quem eu gostaria que visitasse? Com quem eu poderia contar? Todas essas perguntas foram bem importantes, uma vez que não estava acostumada a pedir ajuda e realmente acreditava que não iria precisar.

Já no pós-parto a ajuda de ordem prática foi bem ampla:  ensinar a dar banho (sim, o Deck deu o primeiro banho com ajuda da Dulce, eu após uma cesária não tinha a menor condição e o Deck estava morrendo de medo), ajudar a ordenhar o leite, ensinar o bebê a fazer a pega, dar dicas de que roupa colocar no bebê de acordo com a temperatura… mas o principal mesmo foi lidar com os desafios da amamentação: bico do peito rachado, peito empedrado, ducto obstruído! Sim, passar por tudo isso com a ajuda das meninas e sabendo que podia telefonar a qualquer momento foi maravilhoso! Aconteceu de algumas vezes meu peito empedrar e realmente foi um diferencial tremendo saber para quem ligar e ter apoio.

Já no mundo do “Invisível” fica bem mais difícil de mensurar a explicar a importância deste apoio. O baby blues era um turbilhão de sentimentos, choro, medo, amor e uma certeza de que tudo tinha mudado para sempre. Sem saber o que seria esta transformação e este “sempre”, ainda na maternidade lembro de ter desabado a chorar e neste momento receber o telefonema da Dulce dando nomes àqueles sentimentos até então incompreensíveis – foi muito importante para que eu pudesse me acalmar e entender tantas emoções.

Mesmo assim, ainda foram uns 15 dias de choro e intensidade eu senti profundamente o tal do “baby blues”. E hoje penso que a presença da Dulce e da Dani foram essenciais para eu saber que aqueles sentimentos não eram o começo de uma depressão mas sim algo que logo passaria e que elas estavam ali para ajudar a passar com mais conforto, amor e infraestrutura!

Quando penso no trabalho da doula pós-parto, lembro de conversar com uma amiga antes mesmo de engravidar e ouvir ela falando que na hora que recebeu alta da maternidade queria levar a enfermeira para casa junto, pois quando se deu conta de que dali para frente estaria sozinha desabou a chorar. Felizmente, eu sabia que não estava só, pois poder contar com uma doula pós-parto é voltar para casa com segurança.

Esta semana a Íris faz sete meses, e me dei conta que comecei o texto quando ela tinha recém feito cinco meses!  Maternidade é isso aí! Começar a fazer as coisas sem saber quando vai acabar! 😉

Por: Lara Vainer Schucman

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