Agradecemos imensamente a esse casal tão querido, Wendel e Marina, que tivemos a honra de acompanhar como doulas! Segue aqui este relato precioso escrito pelo papai Wendel, tão rico em detalhes, sentimentos e partilha!

A preparação

Antes do parto quero contar como foi a preparação para o parto, já que minha responsabilidade não era parir, mas ajudar a Marina no que fosse preciso no momento. A preparação foi tranquila pra mim, minha preocupação era manter a Marina bem alimentada, isso incluía pedir as pizzas e os cachorros quentes nos dias em que não dava tempo de preparar algo mais substancioso, e saber as rotas para a maternidade. Até então estávamos crentes que iriamos ter nosso rebento na ilha, mesmo com todas as dificuldades de se atravessar a ponte! Quando completamos 37 semanas eu já estava “pronto”, já havia colocado as malas da minha companheira e do pequeno no carro, calibrado os pneus e enchido o tanque do carro, comprado umas guloseimas e água de côco pra hora h, afinal, a qualquer momento poderíamos ter que sair correndo – “tudo estava pronto na minha cabeça”…

Na semana em que íamos completar 39 semanas minha companheira começou a apresentar um leve quadro de pressão alta, fiquei tenso, todos os dias, duas medições de pressão, e na quarta, dia em que completamos 39 semanas, resolvemos ir à maternidade para avaliar como estava o Paulo. Antes disso, já tínhamos uma certa certeza que ficaríamos na maternidade, passamos e comemos um “podrão” (cachorro quente saboroso) perto de casa, afinal, a pressão já estava alta, e já estávamos a caminho do hospital, mas por incrível que pareça, depois do “podrão” a pressão estava normal, e o pequeno estava muito bem, obrigado!!! super agitado e com os batimentos dentro do esperado, saímos da neura da pressão que nos tinha consumido nos dias anteriores e bora curtir a reta final. Lembro do médico ter dito que ainda poderíamos esperar uns 10 dias!!!

Na sexta feira dia dezenove de abril foi meu aniversário. Como já havíamos adentrado na trigésima nona semana, minha expectativa e ansiedade já estavam a toda, e imagina ter o pequeno fazendo aniversário comigo, isso ia me render boas festas (ainda que indiretamente) por muitos anos. Passei o dia perguntando à minha companheira se ela estava sentindo alguma coisa, mas nada. Sábado a mesma coisa, o dia todo e nada. À noite fomos comer uma pizza, todas as vezes que saíamos era como um ritual de despedida, nós sabíamos que quando o pequeno chegasse nada mais seria como antes, e aquelas pizzas jamais seriam uma romântica saída a dois, para se tornarem divertidas e desafiadoras saídas a três…

O parto (calma que não foi na pizzaria)

Pouco antes de sairmos Marina começou a sentir umas coliquinhas, mas nada que atrapalhasse, comemos a pizza, e voltamos pra casa. À noite as cólicas foram se intensificando, ela quase não dormiu, nem eu; eu estava tranquilo, pois a tal dor nas costas que todos relatam ela não tinha, somente cólicas, e que cólicas, amigos! No sábado pela manhã fui à padaria e comprei tudo o que ela gostava, já imaginando que o parto poderia estar se aproximando, e lembrando que ela teria que ter energia para o momento certo. Preparei o café do jeito que ela gosta, mas as dores eram tantas que ela não quis nada, e a essa altura nem eu consegui tomar café direito. Enquanto estava na cozinha fazendo qualquer coisa ouvia Marina me chamando, até que numa dessas chamadas ela diz que a bolsa havia estourado, perguntei se ela tinha certeza, e ela disse que havia ouvido um “ploff” e havia bastante água no lençol da cama onde ela estava. Confesso, fiquei assustado, como pai de primeira viagem, mas nesse momento informação é importante, sabia que isso não era desesperador, e nessas horas é importante ter uma rede de apoio, e as doulas foram um baita apoio, estávamos sempre em contato pelo zap. Mesmo assim, pais de primeira viagem, fomos à maternidade para avaliar, pois estávamos com medo do temido mecônio que se apresentou ali pela coloração no estourar da bolsa (tinha água verde tingindo o lençol da cama). No carro tentei ter tranquilidade, ir devagar, mas confesso que cada semáforo com sinal vermelho era uma grande angústia. Chegando na maternidade o médico plantonista constatou que estávamos somente com três dedos de dilatação, mas mesmo assim fez a guia de internação e jogou no ar uma possível cesariana. Era por volta de 11h da manhã, minha companheira não tinha tomado café e não havíamos almoçado ainda, o médico nos recomendou que ela não comesse nada… Enquanto esperávamos na recepção a internação falei com a Laura, nossa doula, e ela tanto quanto eu achou meio absurdo tanto a recomendação de não comer quanto a internação um tanto precipitada (embora a bolsa estivesse estourada sabíamos que não havia motivo para pânico). Somado a isso a maternidade estava com todos os quartos ocupados, nos restando ficar na enfermaria. Decidimos então voltar para casa e tentar evoluir ao máximo em casa.

Da casa para a maternidade

Novamente em casa as dores se intensificavam cada vez mais, Marina queria minha presença junto dela o tempo quase todo (eu queria almoçar, por sorte havia pizza que tínhamos trazido pra casa no sábado à noite). Pelas 15 horas telefonei para a Laura e lembrando que era Páscoa já fui me desculpando: “olha, sei que é Páscoa e você deve estar com sua família, mas a Marina pediu pra você vir”. Não me lembro do resto da conversa, mas cerca de uma hora depois ela estava em casa, com um show de luzes, uns óleos aromáticos, um carrinho mágico para massagear a Marina e muita disposição!

Aqui cabe um parênteses, nossa família é de Joinville, e como moramos em Florianópolis, são cerca de 2h de viagem, então decidimos contar para nossas famílias  só depois que o Paulo havia nascido, e não que ele estava a caminho.

Marina só queria ficar na bola de pilates e quando as contrações pioravam ela ia para o chuveiro, todas as toalhas de casa ficaram melecadas da água da bolsa,  isso mais o lençol que estava na cama, e nessas horas só pensava que o Paulo ia nascer em casa, mas como a Marina estava tranquila e a Laura também, quem era eu…

Pelas 19h tentamos convencer a minha companheira a dar uma caminhada na Beira Mar, na esperança de dilatar mais um tantinho e ela conseguir entrar na última parte do trabalho de parto. Convencendo Marina a se trocar depois de tudo pronto, ela só queria ir para a maternidade. Como a maternidade que fomos pela manhã estava lotada resolvemos ir a outra maternidade. Chegando lá enquanto Marina esperava atendimento eu fazia a ficha dela, enquanto ela foi chamada eu fazia a ficha dela, enquanto ela se dirigia ao consultório eu fazia a ficha dela. Bom, ela demorou alguns minutos para chegar ao consultório, andava muito devagar, e muito líquido escorria, para achar a Marina bastava seguir a trilha de poças de água deixadas pelo caminho. Depois de examinada, 8 para 9 dedos, fomos para o exame de cardiotocografia; bem, ela foi, eu fui fazer a mudança para o apartamento em que iríamos nos alojar nos próximos dias, pegar as malas dela, do pequeno, uma muda de roupa minha, fiquei nessa função enquanto ela fazia o exame. Nesse meio tempo o médico leu o plano de parto, conversou um pouco comigo e com ela e o que era possível foi respeitado. No exame tudo bem com ela e com o Paulo, tirando um quase desmaio depois do exame, chegamos no quarto e os exercícios para terminar de dilatar, na bola e no chuveiro, e a essas horas ela estava realmente fora de si. Como ela havia chegado muito dilatada o médico preferiu não dar anestesia, então todo esse processo deve ter sido mega dolorido para ela. Bem, no quarto, por volta das 22h já havia dilatação total, nos preparamos para descer para a sala de cirurgia.

Sem cirurgia na sala de cirurgia

Na sala de cirurgia foi estranho, eu queria que fosse uma sala de parto, afinal, isso é algo natural, ou ao menos deveria ser, mas como na maternidade ainda não havia salas de parto foi na sala de cirurgia.

Uma bola de pilates, um banco em C de parto, e a cama de cirurgia, no centro cirúrgico, tudo preparado. Era por volta das 23h e lá estávamos nós, eu podre há uma noite sem dormir, e uma Páscoa toda praticamente sem comer, a Laura dando todo o suporte que podia e a Marina gemendo as dores de parto a cada contração, e nessa ficamos até por volta da 1h da manhã, quando o médico perguntou educada, gentil e calmamente à Marina se ele poderia colocar oxitocina sintética para acelerar o trabalho de parto, pois as contrações estavam muito espaçadas (de 10 em 10 minutos) e quando aconteciam não eram efetivas. Eu estava atrás de Marina, vi ela olhar para a Laura e a Laura assentir com a cabeça, a Marina olhou para o médico com um olhar profundo de quem estava sofrendo já há várias horas e também assentiu com a cabeça. A dosagem inicial foi pequena, e aumentada gradativamente; nessa hora, pensando agora, o médico foi muito paciente, nos respeitou profundamente, não foi aquele médico cheio de mimimi, chamando Marina de mãezinha, mas foi muito profissional, explicou o que se passava de forma clara e perguntou se assentíamos uma intervenção, que naquele momento parecia ser o mais sensato a se fazer.

O expulsivo

Depois de colocar a oxitocina sintética as contrações se tornaram mais ritmadas e efetivas e as 2h16 da manhã do dia 22 de abril, Marina finalmente conseguiu expulsar o Paulo Roberto para fora, para o mundo, e eu só pensava: “graças a Deus, acho que vou conseguir dormir… e olhando para ele pensava “meu Deus, será mesmo meu filho? ele é tão lindo.”

Cortar o cordão foi tenso, é uma gelatina dura e eu nem tinha visto ele direito ainda, só lembro que ele estava todo melecado, um pouco verde do mecônio, estava meio nojento, mas foi lindo, muito sangue pelo chão onde Marina estava, um cheiro de açougue, uma beleza, ela estava na banqueta, quando dei por mim ele já estava no berço aquecido e a Marina expelindo a placenta. Olhando para ele me lembro de ter perguntado pra Marina se era meu mesmo, ela estava deitada levando os pontos, pois houve laceração, e ela me respondendo: “você tem alguma dúvida?” Eu tenho várias dúvidas o tempo todo sobre tudo, mas ele era meu, ele é meu, que sensação de alegria e medo, agora tinha duas pessoinhas pra cuidar a Marina e o Paulo Roberto, cada um com suas fragilidades, e as duas iam precisar imensamente de mim nos próximos dias. Não quis ver muito a Marina depois de ter expelido a placenta, o médico dava os pontos, pra mim era tenso ver ela ali, mas acho que ela nem sentia nada. Vi o Paulo ser pesado, medido, recebendo o colírio, que até argumentei que não era necessário e fiquei vendo se o pingo seria mínimo, e foi, vi ele recebendo a primeira agulhada, e não sei se por cansaço mas na hora ele esboçou uma carinha de dor mas nem chorou. Depois de todos os procedimentos realizados, e Marina colocada numa maca, o Paulo em cima dela, a sala de observação ao lado foi a última parada no centro cirúrgico. Ali comecei a mandar os zaps para a família e para os mais próximos, só nesse momento que nossas famílias saberiam o que havia ocorrido. Naquela hora da madrugada sabia que ninguém ia ver, mas ao nascer o dia teriam uma grata surpresa e uma boa notícia! Laura nos acompanhou em todos os momentos, e por volta de 4h da manhã nos deixou. Voltamos para o quarto, finalmente dormi um tanto. Os dias que se seguiram foram de uma dedicação massiva e exclusiva.

O pesadelo do pós-parto

Havíamos pedido para que ninguém da família nos viesse ajudar, por morarem longe e por eu ter conseguido vários dias para ficar em casa, e no primeiro dia quando voltamos da maternidade já havia gente em casa para nos ajudar. Confesso que fiquei um tanto frustrado no início, mas hoje agradeço a Deus as pessoas que ele colocou em nossa vida e nos ajudaram. Os primeiros dias em casa foram os piores, nenhuma experiência me preparou para isso, não importa o quanto a gente estude e se prepare, um recém-nascido em casa, além de consumir toda a nossa atenção e energia, ainda requer um pouco mais; é muito cansativo, não são somente as noites acordado, mas é toda a incerteza do que esse pequeno ser quer e necessita. Eu confesso que por vezes me imaginei na função, e sabia que seria árdua, mas na prática foi e está sendo muito mais difícil. Eu digo pra todo mundo que eu me preparei psicologicamente pra quando ele nascesse, pois sabia que ia ser difícil, mas é muito mais difícil do que eu imaginava, não no sentido de ser ruim, mas no sentido de que ele demanda muito tempo e cuidado, e a gente tem que fazer um trabalho meio que de adivinhação, a comunicação é péssima, ele chora e a gente se vira em dez pra descobrir o motivo do choro, não queremos que ele tenha nenhuma necessidade não saciada, pois imaginamos o quanto isso pode refletir no desenvolvimento presente e futuro, e fazer isso com todo o carinho, depois de horas sem dormir, muitas vezes depois de ter se alimentado mal durante o dia e com um milhão de coisas na cabeça pra fazer, não é uma tarefa nada fácil.

A exterogestação

A exterogestação é complicada, a gente está conhecendo um novo ser, e um novo ser está conhecendo tudo, as caretas são todas lindas, o choro é assustador e os grunhidos são como despertadores no meio da noite. Claro que cada um tem e terá a sua experiência; Paulo Roberto é um carinha super dócil, pouco chora, só berra mesmo quando está com fome, ou desconfortável com alguma cólica ou fralda mais pesada. Procuramos manter ele aquecido e sempre sequinho, mas as madrugadas são um saco, ele não sabe nem dormir sozinho, precisa de alguém balançando ele, precisa de colo quase o tempo todo, quer atenção, quer gente conversando e cantando com ele o tempo todo e nem parece dar muita bola quando estamos lá. Nesses trinta e  poucos dias de vida dele temos uma mistura de vontade de morder, abraçar, apertar, amar, afagar e tacar na parede quando nada mais dá certo… e assim vamos sobrevivendo nesses dias, todo dia uma descoberta nova, todos os dias ele fica mais vivo, mais experto, mais desperto. Meu repertório de músicas inventadas não para de crescer, e elas não rimam nada, depois que ele dorme nem me lembro das letras, adquiri a habilidade de fazer todas as coisas que eu fazia antes na metade do tempo, o medo vai dando lugar a um amor incondicional que a gente vai construindo no dia a dia, muito mais fruto das nossas expectativas platônicas futuras; nada é fácil, nem tudo é bonito, dia desses segurei montes de cocô com a mão depois de ter limpado ele e ele ter começado todo o processo de esvaziar o reto novamente, mas a gente vai tentando colocar amor em todos os atos, em todas as conversas, em todos as balançadas.

Nova vida

Marina é uma baita mãe. Nos primeiros dias de vida descobrimos que ela tinha pouco leite, nunca fui a favor das fórmulas, mas nem tudo é como a gente quer. Ele chorou dois dias de fome, e não sabíamos por que ele chorava tanto, dormia cansado e esfomeado, choramos juntos, e um pouco mais quando soubemos o motivo. Não sou sempre um bom pai, há noites em que não quero levantar para ver o que está acontecendo, há dias em que a única coisa que quero é um cachorro quente e umas horas sozinho, depois que ele nasceu não tivemos mais 8 horas de sono, acho que não tivemos nem 6. Em alguns momentos nos perguntamos quem teve essa ideia de ter filho, nada mais é como antes, mas ele é realmente lindo, e a nossa alegria completa a cada dia que sobrevivemos, cada dia é único, o tempo com ele passa no seu próprio ritmo, já almoçamos às 16h e já jantamos à 1h da madrugada, já dormimos no meio da tarde porque ele dormiu, e já acordamos mega cedo porque ele acordou e dormir não é mais vontade dele, então começamos o nosso dia. Passamos a comemorar e a esperar coisas que a gente nem imaginava: os cocôs são muito esperados, os xixis são comemorados, a cada arroto uma festa, quando ele dorme um alívio, e ao mesmo tempo uma tensão, olhar ele dormir é lindo e assustador, ele pode se virar e sufocar ou pode dormir como uma pequena estátua e nunca sabemos se está respirando. Ver ele acordando é uma experiência, as caras e bocas seguida do choro de fome, mobiliza papai e mamãe, tem um mundo que por mais que a gente imagine, sonhe, mentalize, é na pratica muito diferente, exaustivo, bonito, divertido, tenso, enfim, um turbilhão de sentimentos e preocupações com uma vida nova, vida nova dele, vida nova nossa.

Homenagem às mulheres

Eu e Marina aos poucos vamos nos acostumando, as brigas são sussurradas, muitas vezes não vejo o que ela vê, não me preocupo com o que ela se preocupa, e as preocupações e sentimentos dela nesse momento estão à flor da pele, a paciência minha que às vezes está se esgotando tem que se renovar a cada novo choro, a cada nova solicitação da minha companheira e agora mãe, e do pequeno. Nada tem atalho, e tudo tento entender como passageiro, afinal, o mantra ensinado pelas doulas e repetido todos os dias “vai passar”, está passando, é rápido, é assustador, é lindo, é desafiador, é a vida com toda a sua majestade e assombro que chega e nos desaloja do que tínhamos, nos joga nas incertezas e nos faz querer amar e esperar o futuro que vem rápido e se não cuidamos chega sem perceber, e quando nós percebermos esses chorinhos passaram, o tempo do colo passou e com ele toda a rica experiência desse momento. Não posso esquecer de olhar e agradecer essa mulher mãe, guerreira e companheira que passou por tudo isso e canta quando está com ele como quando se canta para um público exigente, e sem esperar aplauso no final desse espetáculo personalizado. As mulheres não são nem nunca serão iguais a nós homens; são infinitamente superiores. A nós companheiros cabe unicamente sermos coadjuvantes, tentar ser apoio, e admitir que por vezes ainda somos estorvo, tentar melhorar a cada dia e saber que nunca chegaremos a ser um pouquinho do que nossas mães e companheiras são. Parabéns, Marina, e parabéns a todas as mulheres mães e guerreiras! Não sei se passaria por tudo o que vocês passam e ainda de salto alto, olhar para a companheira, namorar com o olhar, com um toque, um carinho nessa fase não é fácil nem óbvio, mas tão necessário quanto alimentar o pequeno é alimentar a relação.

Desculpem ter me estendido no texto, há mais de 10 dias dias tento terminar ele, já comecei e reiniciei diversas vezes, mas acho que está pronto, ou longe disso só no começo.

Ele acordou, vou indo.

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