Fim de semana passado, nós da Abraço de Mãe fomos ver o documentário “O começo da vida”, que está nos cinemas no momento. Em uma sessão de cinema lotada (o que nos enche de esperança), com bebês e crianças pequenas muito à vontade no colo de seus pais (e que não atrapalharam em nada), o ambiente parecia apenas reforçar o que o filme mostrou. Aliás, esse é o tipo de filme que você adoraria que TODO MUNDO visse. Todo mundo mesmo!

Tantos ensinamentos podem ser tirados desse documentário sobre a primeira infância, feito pela produtora Maria Farinha Filmes sob encomenda da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, que nós ficamos com muita vontade de dividir algumas dessas lições de humanidade preciosas com vocês. A verdade é que cada uma delas daria um post em separado. Mas vamos agrupar o principal aqui – percepções que ficarão mais claras se você for assistir o filme!

Primeiro chama muito a atenção a importância  dos primeiros anos da vida da gente para a nossa formação como seres humanos. As relações de afeto nesse começo de vida determinam quem seremos. Para isso, faz toda a diferença passar mais tempo com os pais. Infelizmente a nossa sociedade está longe de estimular que a mãe ou o pai fiquem mais tempo com seus bebês nesse precioso início. Assim, sai todo mundo perdendo. Até economicamente! Cada dólar investido na primeira infância significa 7 dólares de economia por adulto! Não há investimento financeiro mais rentável que este. Mas quem pode fazer alguma coisa nesse sentido não enxerga isso.

Aquele papo de que o que importa é ter tempo de qualidade com seu filho é jogado por água abaixo. O que importa é quantidade de tempo. Filhos querem e precisam estar o máximo de tempo possível com seus pais. O amor que vem dessa convivência protege as conexões cerebrais que se formam aos milhares no começo da vida. O afeto envolvido faz com que o desenvolvimento cerebral se solidifique e assim produza bons frutos no presente e no futuro.

Como já é de se esperar, a pobreza prejudica demais esse ciclo de afeto e de consequentes benefícios. Mães que não têm escolha a não ser trabalhar – muitas vezes cuidando dos bebês de outras mães – e assim acabam passando pouco tempo com seu bebê de meses; mães e pais que na busca do básico, frequentemente a eles inacessível, não têm tempo ou condições de obter informação sobre o desenvolvimento da criança (amamentação, alimentação, sono, rotina, estímulos, etc.), conteúdos que preparariam este ser humano para um futuro melhor. Irmãos um pouco maiores que são deixados cuidando dos menores, com responsabilidades incompatíveis com seu nível de desenvolvimento. No Brasil e no mundo.

O filme mostra isso e muito mais com base em evidências científicas. Há que se entender o desenvolvimento neurológico do ser humano desde seu nascimento para que se entenda por que a primeira infância tem que ser uma prioridade. Na esteira dessa compreensão de como se desenvolvem as crianças, nos chamou a atenção a abordagem da “birra como atestado de autonomia”. Compreender que a birra é, além de importante no progresso emocional e psicológico de todos, resultado também da autonomia que a criança adquire e que ela a adquire porque se sente segura pra isso, porque se sente amada e confia no amor dos pais, é libertador (e dá mais paciência para lidar com elas quando ocorrem!).

Talvez o maior ensinamento, entre tantos, que o filme nos dá seja o de que a criança não é só da mãe e do pai; ela pertence à comunidade, à sociedade, à humanidade como um todo. Valorizar a primeira infância, possibilitar com uma mudança cultural e com políticas públicas que os bebês tenham seu principal cuidador com eles nesses primeiros anos, entender a prioridade que isso deve ter pode fazer toda a diferença para a HUMANIDADE.

Como diz o slogan do documentário, “se mudarmos o início da história, mudamos a história toda”.

Não deixem de assistir! Abaixo o trailer para dar um gostinho!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *